Com a exceção das reflex digitais (DSLRs), que por questões técnicas nunca são capazes de registrar imagens em movimento, é seguro afirmar que todas as câmeras digitais lançadas nos últimos anos possuem um modo de filmagem. O recurso, que começou com filminhos minúsculos, de apenas alguns segundos e sem som, é uma das coisas que mais avançou nos modelos recentes. E, diferente do incessante e desnecessário aumento do número de megapixels, pode ser o fato de decisão na hora de trocar sua câmera por uma nova.
As características que devemos observar ao comparar a capacidade de filmagem de uma câmera fotográfica digital (não estamos falando das filmadoras dedicadas, cuidado para não confundir) são o número de quadros por segundo (FPS), a resolução dos filmes, sua duração máxima, e a possibilidade ou não de se dar zoom ou de a câmera ajustar a exposição durante uma tomada de gravação.
Os quadros por segundo, pouco a pouco, praticamente deixaram de ser uma preocupação. Se, nos primeiros modelos que filmavam, os tais FPS não passavam de 10, dando aquele aspecto de desenho animado malfeito às gravações, hoje quase todas as câmeras gravam em 20 FPS ou mais – próximo aos 24 FPS do cinema e suficientes para transmitir a sensação de movimento contínuo.
A resolução dos filme funciona da mesma forma que a das fotos e até poderia ser medida em megapixels, se não fosse sempre tão inferior que não passa de 0,3 MP. Assim, optou-se por usar as dimensões de cada quadro mesmo: 320 x 240, 640 x 480 etc. Bem menos que as de uma foto, mas não ficam devendo em nada a uma filmadora de verdade – afinal, a resolução típica de um VHS é de 220 linhas, enquanto a do DVD chega a 540.
Já a duração máxima começa a fazer diferença: de modelos que filmavam menos de dez segundos, já chegamos aos que são limitados apenas pela capacidade do cartão de memória, podendo gravar dezenas de minutos. A maioria, no entanto, ainda tem limites entre 30 segundos e uns poucos minutos, o que impede a gravação “em uma tacada só”. Se você se planejar bem e tiver paciência para editar o filme depois, dá para contornar a limitação gravando vários “takes” curtinhos e depois montando uma narrativa no computador – até mesmo intercalando com fotos estáticas do evento.
É importante entender que um cartão maior nem sempre se traduz em filmes mais longos: a maioria das câmera depende de um buffer, memória temporária que guarda as imagens antes de copiá-las para o cartão, e é ele que determina quanto tempo elas conseguirão filmar ininterruptamente. Como a restrição é o espaço ocupado pelo filminho, é comum uma câmera conseguir gravar três minutos em resolução baixa (que ocupa menos espaço) e apenas 30 segundos em alta, por exemplo.
Por último, temos a capacidade de ajustes durante a filmagem. Boa parte das câmeras fica totalmente congelada enquanto grava, o que se torna especialmente inconveniente quando precisamos ajustar o zoom. Isso pode até ser considerado um ponto positivo por quem não agüenta mais o vai e vem do zoom dos vídeos caseiros que somos forçados por parentes e amigos a assistir.
Ruim mesmo é o fato de muitas câmeras também não ajustarem a exposição ao longo da filmagem. Comece a tomada em uma área escura e veja a imagem ficar totalmente “estourada” quando você chegar em um ambiente mais iluminado. Ou vice-versa. Ah, e não custa lembrar que não dá para usar flash em filmes – logo, se o lugar está muito escuro para uma foto com luz ambiente, gravar um filminho provavelmente estará fora de questão.
Outra coisa que não dá para fazer, e você deve ter isso em mente sempre que for fazer um filminho, é girar a imagem depois. Ou seja: nada de filmar com a câmera na vertical, como estamos acostumados a fazer na hora de tirar fotos. Gravar ela até grava, mas depois você acabará com um filme que causará torcicolo a todos que forem assistir e tiverem que ficar virando o pescoço para o lado!