No início do ano passado, escrevi um artigo para uma outra publicação em que alertava que o padrão CompactFlash de cartões de memória, então o mais popular no mercado de fotografia digital, havia “subido no telhado”. Raramente faço este tipo de especulação mas, naquele momento, tinha tudo para acreditar que realmente devíamos pensar duas vezes antes de apostar todas as nossas fichas nos CF.
A previsão era baseada em números da indústria, que mostravam as vendas de cartões SD assumindo a liderança pela primeira vez alguns meses antes, e na observação do tipo de memória usada pelos últimos lançamentos – em especial da Canon e Nikon, tradicionais adeptas dos CF, que haviam começado a migrar para o SD nos modelos menores (deixando a tabela de padrões por fabricante de nossa coluna sobre cartões de memória meio desatualizada).
Naquela ocasião, houve quem respondesse ao texto afirmando duvidar da decadência dos CompactFlash, principalmente graças ao domínio do padrão nas câmeras profissionais e amadoras avançadas. Só que até isso logo começaria a mudar, com a Nikon adotando o padrão SD em sua reflex digital amadora D50 e a Canon anunciando a presença de ambos os slots em seu modelo profissional topo-de-linha.
Profecia realizada
Mas por que estou voltando ao assunto agora? Porque, como os leitores mais assíduos sabem, estou passando férias no Canadá e, naturalmente, tirando muitas fotos (umas 5 mil, até agora). Cheguei aqui disposto a comprar um cartão maior para minha Rebel XT, uma reflex digital da Canon que usa CompactFlash. Já tenho dois de 1 GB, mas queria um de 2 GB para não precisar ficar descarregando as fotos com tanta freqüência.
Qual não foi minha surpresa ao observar, em praticamente todas as lojas de fotografia e eletrônicos que visitei em Vancouver, Calgary e outras cidades menores, que não há mais cartões CompactFlash nas prateleiras. O máximo que eu conseguia eram modelos de 256 MB ou menos que pareciam ter encalhado ali e, numa loja mais voltada para profissionais, um Sandisk Extreme e um Lexar Pro de 1 GB a preços estratosféricos.
Faz todo sentido. Se nenhuma – repito: nehuma! – das câmeras à venda nas lojas de eletrônicos de consumo usava mais cartões CompactFlash, por que os lojistas vão gastar o precioso espaço de suas vitrines com esses dinossauros? Eles ainda são encontrados com certa facilidade na Iternet, onde o espaço é virtualmente ilimitado, mas é questão de tempo para que a drástica redução no volume de vendas leve os preços lá para cima.
Devo reconhecer que acabei achando o cartão que procurava, a preço razoável, numa loja de informática em Toronto, mas acabei não comprando. Depois de sobreviver a mais da metade da viagem com meus dois cartões de 1 GB, pra que empatar dinheiro em algo que está em vias de extinção? Se no ano passado eu achava possível que minha próxima câmera compacta fosse baseada em SD, hoje tenho certeza. E aposto, com bastante segurança, que a próxima reflex, também. Descanse em paz, CompactFlash...