Semana passada fui entrevistado pela Kátia Arima, da Folha de São Paulo, para uma matéria sobre estabilizadores de imagem publicada ontem. Eles testaram algumas câmeras e explicaram bem a diferença entre a estabilização ótica ou mecânica, que já foi assunto de uma coluna em 2005 e eu chamo de estabilizador de verdade, e a estabilização digital, que considero uma enganação quase tão grande quanto o famigerado zoom digital.
Enquanto o recurso real move o sensor ou parte do conjunto ótico para compensar o tremor da câmera, o estabilizador digital apenas aumenta o ISO da câmera para permitir o uso de velocidades maiores e, assim, reduzir as tremidas. É um dos benefícios de uma câmera que suporte ISOs elevados, mas está longe de ser um estabilizador de imagem. Ou alguém diria que colocar um filme ISO 800 numa câmera convencional magicamente a equiparia com um sistema de estabilização?
Mais importante do que discutir se o modo “high-ISO” pode ou não ser considerado um estabilizador, entretanto, é saber o que ele representa. Ainda mais agora, que tantas câmeras compactas incorporaram ISOs de até 1600 às suas listas de recursos. Pois, como explicamos ao falar sobre o ruído que polui as fotos de digitais ultracompactas, quanto maior o ISO, maior a quantidade dessa sujeira indesejada nas imagens. E isso, ao contrário do que os fabricantes ouvidos pela Folha afirmam, até um amador percebe.
O problema é que não dá para simplesmenta aumentar a sensibilidade de um sensor. O que se faz ao aumentar o ISO é amplificar os sinais normalmente captados por ele. E, junto com o sinal que compõe a imagem, a câmera acaba ampliando também o ruído. Para as fotos não ficarem horrorosas, o processador da câmera roda um ou mais filtros redutores de ruído que acabam reduzindo também a definição da imagem, como observamos no teste da Lumix TZ3.
Se considerarmos que uma foto com ruído ou pouca definição é melhor do que uma foto totalmente tremida, o recurso de high-ISO acaba tendo sua utilidade. Mas é importante ter em mente que as fotos dificilmente ficarão boas impressas em tamanhos maiores, que o ISO 1600 de uma compacta não se compara ao de uma reflex digital (dotada de um sensor bem maior e naturalmente mais sensível) e que, quando o objetivo é estabilizar a imagem, consegue-se muito mais com um estabilizador de verdade.