A Wireless Intelligence, parceria firmada entre instituição de pesquisa Ovum e a GSM Association, divulgou este assombroso número - 2 bilhões de conexões em telefonia móvel no mundo inteiro. Fazendo o retrospecto, em 2002 a marca atingida foi de 1 bilhão. Sem dúvida é a tecnologia que mais rapidamente cresce na história da Humanidade.
Dois bilhões?!
Dois bilhões é um número fabuloso, sem dúvida, até meio difícil de abarcar com nossa mente limitada. A população mundial, por exemplo, é de 6.469.622.414 de pessoas, segundo cálculos do U.S. Census Bureau.
Talvez seja interessante comparar o número de 2 bilhões de celulonautas com outras estatísticas tecnológicas ao nosso alcance. Dois bilhões é cerca de o dobro do número de usuários Internet em qualquer categoria. Dois bilhões é o triplo do número de computadores pessoais funcionando no planeta. Existem mais celulares do que cartões de crédito, mais celulares do que automóveis, mais celulares do que aparelhos de TV e, obviamente, muito mais celulares do que aparelhos de telefonia fixa. No Brasil, são "apenas" 79 milhões de aparelhos de telefonia móvel, mas tal número já representa o dobro dos aparelhos fixos.
Voltando ao contexto global, mais de 30% da população do planeta carregam um celular consigo. O primeiro país a bater a marca dos 100% de penetração da telefonia móvel foi Taiwan, em 2001. Desde então, 30 outros países conseguiram a mesma façanha. Os Estados Unidos, para surpresa de alguns, só há pouco superaram a marca dos 50% de penetração. No entanto, nas regiões que compõem o mais avançado mercado em telefonia móvel, como Finlândia, Itália e Hong Kong, o usuário típico que começa a utilizar seu primeiro celular tem menos de 10 anos de idade.
Xodó digital
O celular é o único penduricalho digital portado por quase qualquer pessoa economicamente viável no planeta Terra. Até a turma mais jovem está protagonizando uma ruptura com um tradicional padrão de comportamento: cada vez menos gente usa relógios de pulso, dependendo exclusivamente do celular como referência de hora certa. O celular é até agora o único aparelho que se aproxima do que poderíamos chamar de "dispositivo universal". É o gadget do século, segundo alguns, muito embora me pareça absolutamente precipitado premiar esta trapizonga com tal título, visto que estamos apenas dando os primeiros passos no século 21.
A rigor, quase qualquer usuário de celular pode ser alcançado através de uma mensagem SMS de texto, ou seja, isto significa mais do que o dobro de pessoas que podem ser atingidas via e-mail convencional. Em Helsinki, capital da Finlândia, 40% dos usuários de celular usam seus aparelhos para pagar suas passagens em veículos de transporte público. De resto, celulares podem também ser utilizados para comprar passagens aéreas, fazer check-in em aeroportos e até como cartão de embarque, tal como já é oferecido desde 2004 pela empresa aérea Norwegian Airlines, em pareceria com a empresa norueguesa de telecom, a Telenor.
Você leva o seu celular para a cama?
A febre celularesca chegou a tal ponto que quase qualquer usuário mantém seu aparelho ao alcance da mão durante as 24 horas do dia. Cerca de 60% dos celulonautas chegam ao cúmulo de levar o telefone móvel para a cama, seja para receber chamadas de voz, ou então para aproveitar-se da facilidade de alarme que o bicho oferece, ou mesmo para ficar esperto, caso receba mensagens SMS. Haja neura!
A pesquisa revelou também um outro dado que deixa transparecer claramente a importância que estes onipresentes aparelhinhos assumiram na vida do cidadão comum. Uma pessoa que perca uma bolsa ou uma carteira, em média, relata o extravio após cerca de 26 horas do ocorrido. Já no caso de extravio de um celular, este tempo cai para cerca de 68 minutos. Ou seja, a turma está dando um valor fabuloso aos aparelhinhos.
Sobre os locais de uso efetivo de celulares, poderíamos pensar que são aparelhos utilizados quando se está do lado de fora, ao ar livre por exemplo, caminhando na rua ou dirigindo, muito embora esta última modalidade seja contra a lei em grande parte do mundo. Mas engana-se quem pensa que estes são os usos preponderantes. Na verdade, cerca de 70% das ligações feitas a partir de celular são realizadas em ambientes fechados, dentro de prédios, instalações militares ou civis, residências etc. No caso de acesso de dados via celular, este percentual cai para 60%, no que tange ao uso em espaços fechados ou cobertos.
Convergência
Quanto à tão falada convergência de mídias, o celular tem sido apontado como o ponto convergente, ou seja, se as mídias convergirem, o farão em direção ao telefone móvel. Quer dados palpáveis? Pois bem, aqui estão alguns. Mais de 19% de toda a renda obtida com música é gerada por celulares, 14% da renda com joguinhos também vem de games em celular. Só ao longo do ano de 2005, o número de celulares com câmera digital embutida foi maior do que o número de câmeras digitais comuns vendidas em todos os tempos.
Quanto ao futuro, macacos nos mordam se TV e celular não se fundirem num médio prazo. Até 2010 espera-se que venham a existir três bilhões de usuários de celulares, ostentando aparelhos altamente bodosos, decerto.
Sobre as comunidades digitais, Tomi Ahonen afirma que a dita Generation-C (vulgo Gen-C) será a coletividade dos super-consumidores do futuro, focados quase que exclusivamente em seus ultra-celulares poderosíssimos. Segundo ele, todos os comportamentos de comunidades digitais estão migrando para telefones celulares, em fenômenos como blogging, por exemplo. Já existem mais moblogs (blog móveis) do que blogs comuns, atualmente em sua maioria escritos em coreano ou em japonês. Nessa panela das comunidades e dos comportamentos, entram também os videogames, os sites de encontros, de chat e de interatividade com a televisão.
Futuro animado
Diante desta entusiasmante perspectiva, divisa-se um amplo leque de possibilidades nas áreas de SMS, ringtones, wallpapers e jogos para celulares. Três vertentes provarão ser importantíssimas daqui para a frente: o aumento de complexidade dos serviços 3G (terceira geração), os serviços de dados oferecidos ao preço de uma assinatura básica e única, e o crescimento das facilidades multimídia dos celulares. Os iPods, por exemplo, que hoje são o xodó da comunidade jovem e plugada, serão engolidos por celulares que terão as mesmas funções, fenômeno já ocorrendo no Japão e outros países orientais. Telefones assim abrirão caminho para aplicações cada vez mais sofisticadas, tais como jogos multiplayer, por exemplo.
Olhando para mais adiante, de mãos dadas com o crescimento no número de usuários de celulares estarão o aumento drástico das taxas de penetração das redes de alta velocidade e o aumento no poder de processamento dos aparelhos de telefonia móvel. Para quem não desgruda do celular, o futuro vai ser bem animado, pode apostar.
* Fonte: Fórum PCs (www.forumpcs.com.br) e HostNet (www.hostnet.com.br)