Tô pra conhecer um país onde a vida comum do cidadão médio seja tão regulada como na Suécia. Há leis (escritas e tácitas) para quase tudo. O controle social é rigorosíssimo. Um exemplo: comprou uma casa numa área residencial, prepare-se para comparecer a reuniões de condomínio e estar de acordo com as determinações dos outros moradores sobre como o seu jardim/gramado deve ser cuidado e com que freqüência. Não cortou a grama? Pode estar certo de que os vizinhos vão fazer cara muito feia pra você.
Esse tipo de controle estende-se, claro, para a vida fora da sua casa. Quer ter um cachorro? Vai ter que registrar, vacinar, pagar seguro, fazer curso de obediência (pro cachorro, claro). O cachorro mordeu o vizinho (aquele que fez cara feia), você vai ter de pagar multa e pode até ir pra cadeia. O cachorro morreu e você quer enterrá-lo no seu jardim? Não pode. Tem que ser num cemitério de animais regulamentado. Decide, então, jogar as cinzas do totó ao vento? Não pode. Não sem antes preencher um formulário, pagar a devida taxa e especificar onde exatamente as cinzas serão depositadas.
Mas como em toda regra tem sua exceção, no que diz respeito a telefones celulares, o suecos são extremamente permissivos. Nada é probido. O professor universitário pára uma palestra para mais de cem alunos quando seu celular toca. Na frente do auditório ele resolve uma briga entre seus dois filhos pequenos. Está dirigindo numa estrada movimentadíssima, onde a velocidade máxima pode chegar a 110 quilômetros por hora e precisa perguntar pra esposa se ela quer pimentão verde pro jantar? Liga no celular! Sem problemas!
Já perdi as contas das vezes em que meu coração gelou nas estradas daqui quando meu marido decidiu que iria atender ao celular no meio de uma ultrapassagem. Fico tão irritada que não são raras as acasiões em que confisco o celular dele antes de iniciarmos a jornada ou decido assumir o volante para não precisar me sobressaltar. Aí, me lembro da ótima legislação brasileira no que diz respeito ao uso de celulares no trânsito (ainda que sejam poucos os que, como eu, respeitem a lei). Quem é primeiro mundo aqui, cara pálida?