Já mencionamos este recurso ao tratar de zoom e, recentemente, na avaliação da Canon S1-IS – uma das primeiras a contar com a tecnologia. A popularização dos sistemas antitremidas tem sido tão rápida, no entanto, que julgamos apropriado abordá-los em uma coluna exclusiva. Afinal, até os mais leigos candidatos a fotógrafos já andam requisitando a facilidade ao procurar uma câmera nova...
É importante não confundir isso com o estabilizador digital de algumas câmeras de vídeo, que compara as cenas capturadas umas com as outras e corrige as mudanças que afetem quadros inteiros – resultantes do movimento da câmera, e não da cena sendo filmada. Nas câmeras fotográficas, é o conjunto ótico ou sensor que é “estabilizado” - não só a imagem capturada.
O estabilizador de imagem (IS), como o chamam a Canon e alguns outros fabricantes, ou redutor de vibrações (VR), como prefere a Nikon, surgiu no mundo dos binóculos (em que os modelos estabilizados ainda custam verdadeiras fortunas) e se expandiu para as teleobjetivas das câmeras reflex desses dois fabricantes. A técnica usa sensores de movimento, giroscópios ou elementos flutuantes para compensar mecanicamente os movimentos involuntários das mãos do fotógrafo, movendo um dos elementos da lente no sentido oposto.
Em alguns modelos da Minolta, pioneira da tecnologia nas câmeras compactas, o estabilizador é montado no próprio sensor, que se move no sentido oposto ao da tremida. A empresa chama isso de anti-shake e, ao contrário dos concorrentes que só usam esses recursos nas câmeras superzoom, o emprega até em alguns modelos ultracompactos, que recebem o selo “unshakeable”.
Nas câmeras mais avançadas, esses sistemas permitem fotografar com velocidades menores – dois f/stops, para a maioria dos fabricantes, e três, com as lentes Nikon e certas Canon de última geração – sem precisar recorrer a um tripé. Nos modelos mais simples, muitas vezes sem controle manual de velocidade, o benefício aparece nas fotos tiradas com grande distância focal (zoom no máximo) ou com pouca luz (em que a câmera reduz a velocidade por conta própria).
Entre os fotográfos profissionais, há até quem defenda o uso de lentes com essas tecnologias mesmo quando trabalhando com um tripé. A justificativa é que, em grandes distâncias focais, a leve vibração da câmera quando a cortina se move para expor o sensor seria capaz de arruinar a nitidez de uma foto. E um estabilizador de imagem, de protegê-la.