João Araújo é professor e coordenador do Mestrado em Geomática da Faculdade de Engenharia da UERJ e fotógrafo nas horas vagas.
Todo mundo conhece um pouco da história das grandes navegações, afinal, o Brasil é resultado desta grande aventura humana que se iniciou no século XV. Naquela época, fazer um mapa era algo trabalhoso, que exigia horas de dedicação e uma boa dose de aptidão artística. Apesar de todo este trabalho, a cada nova descoberta, o mapa tinha que ser refeito do zero. O mapa era tratado como segredo de estado. Sendo o mapa uma representação das coisas do mundo, era importante para aqueles navegadores que seus mapas fossem o mais próximo possível da realidade. Antes de ser desenhado, era necessário que dados fossem coletados e analisados. Os instrumentos da época eram o sextante, o compasso e o mais difícil: um relógio preciso. Em resumo, a análise e a criação de mapas era uma atividade lenta.
Ouso afirmar que estamos vivendo uma segunda era de ouro dos mapas representada por mapas digitais, Sistemas de Informação Geográfica (SIG) e Serviços Baseados em Localização (SBL). Em vez do sextante, do compasso e de relógios precisos, a atividade atual de criação de mapas usa os computadores, a Internet e o Sistema de Posicionamento Global (na sigla do inglês, GPS).
Como os mapas em papel, os mapas digitais necessitam de um trabalho de coleta de dados do mundo real, para que possam representar bem este mundo no mundo virtual, mas, diferente do mapa em papel, o mapa digital pode ser refeito em segundos, e ainda melhor, pode ser calculado para atender às necessidades do usuário! Como temos a Internet, podemos colocar estes mapas na Rede e atender instantaneamente aos pedidos dos usuários. Mapas sob demanda, feitos sob medida para quem precisa!
Na Web
Agora chegamos onde eu queria: se temos a Web e temos Sistemas de Informação Geográfica podemos ter algo que podemos chamar de SIGWEB, Sistemas de Informação Geográfica na Web. Para isso foram criados programas especiais, chamados de Servidores de Mapas, que atuam acoplados com os Servidores Web. Um dos mais conhecidos e usados se chama, adivinhem: Mapserver. Com ele, colocar informação geográfica na Rede é brincadeira de criança. Bom, estou exagerando, mas é bem fácil mesmo, se você já sabe alguma coisa da linguagem html, usada para escrever páginas para a Web. E o melhor de tudo, o Mapserver é gratuito.
Não é difícil imaginar qual o tipo de mapa dinâmico podemos colocar na Web: Trânsito, mapas de tempo e até mesmo o mapa de sua cidade, onde você poderia escolher qual o tipo de informação quer ver. Sendo assim, antes deste tipo de servidor, se você quisesse colocar um mapa de hotelaria de uma cidade e o mapa de atrações turísticas, ou você colocava todas estas informações num só mapa ou você colocaria dois mapas, e o usuário escolheria qual ver, mais um terceiro, com a junção das duas informações. Agora, você coloca a informação da cidade e o servidor de mapas calcula, em tempo real, o novo mapa, baseado nas informações que o usuário escolhe em um menu. Cada tipo de informação configura uma camada do mapa que pode ser calculado com quantas camadas forem necessárias. O servidor de mapas também calcula um novo mapa quando você quer uma visão mais próxima (zoom in) ou mais afastada (zoom out). Tudo isto automaticamente.
Toda esta evolução já era esperada. Acredito que a tecnologia cria necessidades na sociedade. Quem iria pensar, há alguns anos, por exemplo, que seria necessário que um celular tirasse fotos? Mas hoje em dia é quase obrigatório. Quando a tecnologia dos computadores evoluiu e a Internet de banda larga se tornou comum nas casas das pessoas e os celulares também desenvolveram sua conectividade com a Rede, era um passo para que as pessoas começassem a querer mapas dinâmicos na Internet. Isto só é possível, com qualidade, hoje em dia.
Mercado emergente
Este é um mercado emergente. Segundo a revista “Nature” (janeiro de 2004), as geotecnologias representam um dos três mais importantes mercados deste novo século, junto com as nanotecnologias e as biotecnologias. Não é à toa que nos deparamos mais e mais com mapas digitais no nosso cotidiano. No futuro, quando as tecnologias dos computadores tiverem evoluído ainda mais e a Internet de banda larga for medida em Gigabits por segundo e não em Megabits por segundo, poderemos passar para o próximo passo: a realidade virtual online. Viagens virtuais de qualidade por ambientes virtuais criados a partir de mapas tridimensionais do mundo real. Quem viver, verá.