O que o WDP tem de bom?
Para começo de conversa, vejamos o que o formato WDP tem de bom. WDP? Sim, pois a extensão dos arquivos será essa, e não a mais óbvia WMP, já adotada por diversos programas, inclusive o Windows Media Player. O novo formato permite tanto a compressão sem perda (lossless), como o TIFF, quanto a que degrada a imagem (lossy), nos moldes do JPG. No primeiro caso, reduz os arquivos em 2,5 vezes. No segundo, comprime “duas vezes mais que o JPG, com qualidade superior”.
Parece uma maravilha, mas será que vai se tornar um novo padrão? A MS está oferecendo os direitos de uso gratuitamente com esse objetivo. Por incrível que pareça, o WDP é até mais aberto que o JPG no quesito “propriedade intelectual”, já que este último se vale de algoritmos de que a Forgent Networks alega ser dona. A empresa conseguiu arrancar dezenas de milhões de dólares em royalties de grandes usuários do padrão JPG antes de as decisões judiciais começarem a derrubar suas patentes.
Para se popularizar, porém, não basta o padrão ser aberto, vir embutido no Windows Vista e ganhar suporte no XP via uma atualização já prometida pela MS. Ele tem que ser adotado por fabricantes de câmeras, scanners, impressoras, álbuns digitais, DVD-players e toda sorte de aparelho que hoje é capaz de exibir imagens JPG – sem falar nos softwares e sistemas operacionais, inclusive os open source. E isso leva tempo, razão pela qual o JPG não morrerá tão cedo.
E o que o JPG fará a respeito?
A própria Microsoft compara a compressão do WDP à do natimorto JPEG2000 (JP2), uma evolução do mais popular formato de arquivamento de fotos que nunca chegou a ser usada de fato. Como ele, o WDP prevê transparência (algo que só GIF e PNG, mais adequados a gráficos do que a fotos, ofereciam) e armazenamento de informações sobre a foto (EXIF e, apenas no WMP, XML). Tudo sem a sobrecarga no processamento que é o calcanhar de Aquiles do JPEG2000.
Por outro lado, a turma do IJG, ou Independent JPEG Group, já tratou de espernear, alertando o público para a existência de uma outra evolução (esta real, segundo eles) do JPEG, chamada de JPG1X, prestes a se tornar realidade. Guido Vollbeding, um dos líderes do grupo, afirma que a Microsoft só anunciou seu padrão agora porque sabe que, se submetidas aos órgãos de padronização, as especificações seriam rejeitadas por serem inferiores às propostas para o JPG1X.
Para a turma de perfil mais técnico que quiser comparar as especificações dos três padrões e tirar suas próprias conclusões, aqui estão elas: Página oficial do JPEG 2000, Novos desenvolvimentos do padrão JPG1X e Especificações do Especificações do Windows Media Photo. De minha parte, continuarei usando o JPG até essa discussão amadurecer bastante. O grupo que o criou pode estar fazendo 20 anos, mas o formato ainda vai durar.