Muita coisa pintou nas águas macintoshianas desde que este colunista irregular escreveu sua última coluna. Tivemos o lançamento da máquina que faltava para completar a transição IBM-Intel na linha Apple — o Quad Xeon 64-bit workstation —, o “Sneak Peak” da nova versão do Mac OS X — o Leopard — e, por último, o primeiro “recall” da história da Apple — e o segundo maior da história da indústria da informática. Comecemos pelo último assunto.
No dia em que a Dell convocou pouco mais de 4 milhões de notebooks para troca de baterias “incendiárias”, como vem sendo espertamente chamadas pela mídia especializada, uma luzinha piscou dentro da minha cabeça. Acontece que eu sabia que a Dell, maior fabricantes de PCs do planeta, é famosa por montar bem as suas máquinas. E nada mais imprescindível para tornar uma máquina bem construída que a boa escolha dos fornecedores das peças que irão dentro dela. Refiro-me a ítens como placa de vídeo, HD, drive óptico… bom, a lista é grande — até chegarmos às já supracitadas baterias que, no caso aqui comentado, vêm da Sony.
Assim como a Dell, a Apple também compra suas peças nos melhores e mais renomados fornecedores. Quando a Dell deu o alarme, fiquei interessado. Eu sabia que as baterias usadas pela Apple também eram Sony. Só não sabia se os modelos era o mesmos, mas convenhamos: bateria é bateria. Foi batata. Quase uma semana depois do anúncio da Dell, a Apple chama em “recall” cerca de 1,8 milhões de notebooks.
Esse lance do “recall” é interessante. Começou durante os anos 80 na indústria automobilística americana. Os caras sentaram, fizeram as contas e descobriram que era mais barato admitir uma falha publicamente e se responsabilizar pela reposição de componentes defeituosos do que enfrentar longos e caros processos judiciais. Além disso, há a questão da opinião pública e da confiança na marca. O “arranhão” que um processo polêmico pode causar na imagem de uma companhia corre o risco de provocar ainda mais prejuízo — prejuízos que, às vezes, podem ser muito mais danosos que o buraco deixado pelo pagamento de alguns milhões de dólares na conta bancária da empresa.
Mas foi só na metade dos anos 90 que a coisa pegou mesmo. Os consumidores foram invadidos por uma nova sensação de segurança: se algo estiver errado, a indústria vai me avisar e tudo ficará bem. Afinal, sabemos que as montadoras gastam uma boa grana em testes, “crash tests” e outras provas, e podem usar os dados obtidos para melhorar seus produtos. O que nós esquecemos é que muitas dessas exigências vêm, acima de tudo, da legislação, e não da boa vontade dos fabricantes. Há sempre uma conta a ser feita em algum lugar. Se for obrigatório e ainda por cima menos custoso, os consumidores sairão ganhando.
O que me preocupa é que a prática do “recall”, antes esporádica, está se tornando cada vez mais freqüente. A tecnologia avança tão rápido que procedimentos de segurança e a qualidade dos testes não consegue acompanhar. Aumenta-se a produção e a margem de lucro, mas piora-se a qualidade do produto vendido ou o processo está mais transparente? Não sei qual é a resposta. Tudo o que sei é que terei que contatar a Apple Brasil — sim, a bateria do meu PowerBook está na lista de baterias explosivas —, entregar minha bateria, esperar no mínimo 45 dias por uma bateria nova e, durante esse período, usar meu notebook apenas ligado na tomada — o que meio que destrói a melhor coisa em possuir um computador portátil com conexão Wi-Fi.
Tudo bem que existem apenas três casos de incêndio reportados até agora, num parque de zilhões de baterias fabricadas pela Sony. As vítimas, até o momento, são todas da Dell. Estima-se que a Sony desembolsará algo na vizinhança dos US$ 250 milhões com essa troca, além de ser objeto de uma investigação de segurança (lá fora, claro. Se fosse aqui, ia rolar uma CPI com pizza e um abrássss). Mas, sinceramente, não sei se preferia não saber de nada disso. Tenho a sensação de que a prática do “recall” está virando a desculpa oficial para que menos investimentos sejam realizados em pesquisa e testes. Afinal, se der problema, a gente chama todo mundo de volta, certo?
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Finalmente, a linha está completa! Após o lançamento do iMac Intel, do Mac Mini e dos portáteis, chegou a vez do Sodão do Bairro Peixoto pintar no pedaço. O novo Mac Pro vem com dois processadores Dual Core Intel Xeon de 64 bits. Dá pra escolher se você quer rodar seus programas em 2, 2,66 ou 3 GHZ. Você pode colocar até 2 Terabytes de espaço e tem 8 slots para entupir o bichim com até 16 GB de memória RAM. Cara, não é máquina pra qualquer brincadeira. Além do design clássico estilo ralador de queijo de prata com alças, cada processador suporta dois monitores Apple, ou seja, dá pra colocar 4 monitores de 23 polegadas ou dois de 30 polegadas. Faça seu videowall em casa! Deve ser sensacional pruma festa. Chame seus amigos!
Mas o lance realmente bacana é pra quem vai usar o Mac Pro Quad Xeon pra edição de vídeo, por exemplo, ou mesmo usar aqueles programas que têm um quaquilhão de janelas, menus e paletes. Aí fica linda a coisa. Pra terminar, as quantidade de configurações de expansão são virtualmente ilimitadas — cerca de 4 milhões, segundo a tchurminha de Cupertino. Além, é claro, das 4 portas FireWire (duas 800 e duas 400), 5 portas USB 2.0 (mais duas 1.1 no teclado), fora bluetooth, Wi-Fi e outros quejandos. Pra ter essa gracinha você precisa de US$ 2,5 mil. Mas calma; esse valor é pra uma configuração intemediária: Dois processadores de 2,66 GHz, Superdrive, 1 GB de RAM, 250 GB de HD. Quer a “Ferrari” dos Desktops? A “Lanborghini” dos computadores de mesa? A coisa bate nos US$ 15 mil. Mas o importante é ter opção, não é mesmo?
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Quando Titio Jobs subiu ao palco da úlitma WWDC em São Francisco, há cerca de 20 dias, todos esperavam que a vedete da noite seria o “preview” oficial da nova versão do Mac OS X. O que ninguém esperava eram as novidades escalafobéticas do sistema.
Depois de Jaguar, Panther e Tiger, agora teremos o Leopard ou, mais corretamente, o Mac OS 10.5. Que venham os Leopardos! Além de melhorar — e muito — tecnologias e softwares que já vinham sendo utilizados, os desenvolvedores da Apple começaram realmente a aproveitar as vantagens oriundas da opção pelos processadores Intel. Após a implementação de tecnologias como o Core Audio e o Core Video, agora temos o Core Animation, cuja função é rodar capacidades de animação diretamente no processador. Isso significa que a possibilidade de uso de funções animadas na interface aumentou consideravelmente, sem causar muito ônus nas outras operações realizadas pela máquina.
Falando em interface, a coisa realmente deu uma certa pirada. Novos aplicativos como o “Spaces”, que permitem ao usuário criar até quatro espaços de trabalho distintos e poder pular entre eles “on demand” e o “Time Machine”, que percorre numa linha de tempo a história de tudo que foi criado, movido ou deletado em sua máquina, só são possíveis graças ao Core Animation. Os efeitos de interface acontecem, literalmente, em tempo real na tela - e são atualizados automaticamente, se necessário. Mas não é só firula: esta nova capacidade gráfica permite maiores vôos em clareza de interface, navegação e entendimento do usuário do seu espaço de trabalho e lazer digital. Usando o Core Animation os desenvolvedores de Mac não precisam conhecer animação a fundo para criar efeitos animados em textos, imagens e gráficos 2D e 3D e vídeo — tudo ao mesmo tempo. É um grande salto para a comunicação não-verbal causada entre emissor e receptor, entre computador e usuário. As possibilidades são infinitas.
Além das novidades que causaram “oooohs” na platéia do WWDC, houve ainda melhora nos times que já vinham ganhando. Spotlight, Mail, iChat, iCal e Dashboard ganharam mais funcionalidades e ficaram ainda mais amigáveis e rápidos.
Uma das coisas mais interessantes que estarão disponíveis no Leopard — e que realmente quero destacar aqui — foram os novos recursos de acessibilidade do sistema. Como não fazia há anos, a Apple decidiu dar um “upgrade” em todas as funções que tornam o Mac mais acessível para pessoas com alguma deficiência auditiva ou visual. As vozes para ajudar deficientes auditivos a operar os Macs estão menos robóticas e foram dotadas com capacidade multilingüe — segundo a empresa da maçã, o Mac agora fala a SUA língua. Além disso, novas vozes foram incluídas nas opções de voz (as antigas já tinham cansado mesmo). O sistema terá suporte a Braille, que permite a instalação de periféricos específicos e traduz dinâmicamente qualquer “VoiceOver” do Mac OS. Funções como “Close Captioning” aplicam legendas sobre conteúdos de áudio e vídeo, incluindo transmissões de TV (mas aí, claro, só nos Estados Unidos, que o Mac OS também não é mágico). O Mac está mais amigável, mas principalmente pra quem mais precisa.
Há muito o que falar sobre o que há de novo no reino dos felinos macintóshicos, e vocês podem esperar mais detalhes num futuro próximo. Nos vemos em breve.
Sylvio Pinheiro está ansioso pra ver o novo sistema, mas o que quer mesmo é um Mac novo.