Já falamos sobre os famosos megapixels. Que tal agora discutir o segundo aspecto mais observado na hora de se escolher uma câmera digital: a capacidade da lente variar sua distância focal, fazendo o assunto da foto parecer mais próximo ou mais afastado? Ou, para simplificar, aquilo que costumamos chamar de zoom e geralmente aparece nas especificações da câmera em “X”: 3X, 5X, 12X...
Só nos interessa o zoom de verdade, chamado de zoom ótico, não aquela enganação de zoom digital que alguns modelos oferecem. Neste caso, “digital” não se traduz em algo moderno, avançado, e sim em um artifício que amplia um pedaço da foto no processador da câmera, exatamente como poderíamos fazer depois em um programa de tratamento de imagem, abrindo mão de qualidade.
Já o zoom ótico, “real”, é obtido pelo movimento de alguns elementos da lente. Se esse movimento faz uma lente variar sua distância focal de 33 a 100mm, por exemplo, dizemos que o zoom é de 3X (100/33=3,03). Na maioria das câmeras dá até para ver uma parte da lente se mexendo quando mudamos o zoom. Aquelas em que a lente “cresce” alguns centímetros em direção ao objeto fotografado costumam ter os maiores zooms.
Mas o que devo comprar?
Mas afinal, o que comprar? Acreditamos que as câmeras sem zoom (ou apenas com zoom digital, que dá no mesmo) são muito básicas, exceto para os mais iniciantes. Nossa recomendação é procurar um modelo com zoom 3 ou 4X. Acima disso, o tamanho da lente começa a comprometer a portabilidade da câmera, inviabiliza a existência de um visor ótico (mais sobre isso em uma próxima coluna) e, o mais importante, é pouco eficiente na maioria das situações, podendo resultar em fotos tremidas.
Este último ponto negativo merece uma explicação melhor: quanto maior a aproximação, mais o movimento da câmera afeta a imagem capturada. Em uma câmera com zoom de 10X usado no máximo, por exemplo, só conseguiremos fotos perfeitamente nítidas em dias muito claros ou com o uso de um tripé. Qualquer situação diferente disso provavelmente deixará as fotos meio borradas devido ao mais leve movimento da mão do fotógrafo durante a captura, ainda mais se a baixa luminosidade exigir que a câmera trabalhe em uma velocidade menor. Em outras palavras: na prática, esses superzooms são pouco úteis exceto nas melhores condições de luz e estabilidade.
Estabilizador de imagem
Por conta disso, algumas câmeras mais avançadas começam a oferecer um recurso chamado de estabilizador de imagem, redutor de vibração ou coisa parecida. Essa função, herdada de binóculos, lentes de câmeras profissionais e filmadoras, usa um sistema mecânico para compensar os tremores da mão do fotógrafo, efetivamente reduzindo seus efeitos sobre as fotos. Nas poucas câmeras que contam com o benefício, os zooms de 10X e 12X são muito mais “usáveis”.