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Uma análise da evolução Web entre 2000 e 2006
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Mais Sobr Alexandre Magalhães - 29/01/2007
Alexandre Magalhães
Coordenador de análise do IBOPE/NetRatings

Neste artigo, continuarei o diálogo com o livro “A Cauda Longa”, de Chris Anderson. Explorarei alguns aspectos da navegação dos usuários brasileiros que parecem indicar que essa tendência também se manifesta em nosso País. Antes, algumas linhas sobre o ano de 2006.

2006
Das 15 categorias acompanhadas pelo IBOPE//NetRatings, apenas duas cresceram menos que a média da Internet. Em outras palavras, há antes um movimento de quem já é internauta rumo à diversificação, do que propriamente a entrada de novos usuários.

Outra informação relevante é que grande parte dos maiores crescimentos aconteceu entre as categorias com menos visitantes. No longo prazo, esse fato indica que há uma tendência de que diminua a distância entre as categorias, o que significa maiores possibilidades de ganho financeiro para todos, pois haverá mais visitantes em cada categoria. Os maiores crescimentos de 2006 concentraram-se em Viagens e Turismo (65%), Casa e Moda (55%), Automóveis (40%), Família e Estilo de Vida (37%) e Informações Corporativas (35%).

2000 a 2006

O primeiro sintoma do fenômeno chamado por Anderson de "Cauda Longa" é o encurtamento das distâncias entre as categorias mais acessadas pelos internautas e as menos procuradas. Anderson afirma em seu livro que quando há uma maior oferta disponível, a tendência é de deslocamento da procura para as regiões menos movimentadas.

No caso brasileiro, houve um crescimento muito forte do acesso às categorias menos visitadas, como Casa e Moda, Viagens e Turismo ou Família e Estilo de Vida, por exemplo. Grande parte dessa diversificação está relacionada ao fato de o número de mulheres, absoluta e relativamente, ter aumentado de maneira considerável nos últimos seis anos. Para se ter uma idéia desse crescimento, elas representavam menos de 40% em dezembro de 2000 e acercam-se da metade dos usuários no mesmo mês de 2006.

Relação percentual entre a menor categoria e a maior, em número de usuários únicos – base dezembro de cada ano. Fonte: NetView – IBOPE/NetRatings

A figura mostra que, em dezembro de 2001, a menor categoria, Casa e Moda, representava 1% do total da maior categoria, Portais, Buscadores e Comunidades. Até 2003, a menor e a maior categoria continuaram sendo Casa e Moda e Portais, Buscadores Comunidades, respectivamente.

Entre 2004 e 2006, a menor categoria passou a ser Automóveis e a maior continuou a ser Portais, Buscadores e Comunidades. Em dezembro de 2006, Automóveis representou quase 16% do total da audiência única de Portais, Buscadores e Comunidades. Em outras palavras, a distribuição da audiência é, hoje, muito mais achatada do que era no início da Internet brasileira.

O motivo para esse achatamento está longe de ser a perda do interesse pelas categorias mais acessadas, mas refere-se ao ganho de popularidade pelas menos procuradas em tempos passados. Percentualmente, o crescimento das categorias menores foi bastante superior ao das categorias líderes, como Portais, Buscadores e Comunidades ou Telecom e Serviços na Internet (e, claro, partindo de uma base menor). A figura a seguir mostra o percentual de crescimento das categorias:

Crescimento percentual das categorias, em número de usuários únicos – base dezembro de 2000 e dezembro de 2006. Fonte: NetView – IBOPE/NetRatings.

Das cinco categorias com maior crescimento, três são claramente opções mais ligadas às mulheres, como Casa e Moda, Família e Estilo de Vida e Educação e Carreira. A categoria que mais cresceu desde 2000, Casa e Moda, está em dezembro de 2006 cerca de 7.500% maior que em dezembro de 2001, ultrapassando categorias como Automóveis e Viagens e Turismo, cuja audiência é muito mais masculina.

Ao comparar as categorias internamente, qualquer delas, verifica-se que houve um grande crescimento no número de concorrentes visitados, ou seja, internamente também houve o efeito cauda longa. Tome-se o exemplo da categoria e-commerce, uma das mais importantes em épocas de grande volume de compras, como no Natal: em dezembro de 2001, o serviço Nielsen//NetRatings mostrava 17 endereços eletrônicos do setor de e-commerce, entre lojas, leilões e endereços de shoppings dos grandes portais.

No mesmo período de 2006, foram 88 sites, um crescimento de 417% no número de endereços de comércio eletrônico visitados (tanto os 17, quanto os 88 sites referem-se aos maiores endereços eletrônicos acessados no período, já que há milhares de sites que são acessados pelos painelistas, mas são estatisticamente irrelevantes).

Além do número muito maior de sites  visitados, houve uma grande diversificação neste período. Em dezembro de 2000, os 17 competidores dividiam-se nos seguintes segmentos: leilão, shopping, bebida, livraria, tudo (como Submarino, por exemplo), eletroeletrônicos e música/DVDs. Já em 2006, foram 19 segmentos identificados para os 88 endereços: leilão, tudo, comparadores de preço, shoppings, bebidas, livraria, eletroeletrônicos, supermercados, música/DVDs, perfumaria, classificados, roupas, farmácia e drogaria, papelaria, sapatos e tênis, ingressos de eventos artísticos e esportivos, lojas regionais (como Ricardoeletro, por exemplo), clube de compras (como Sam’s Club, por exemplo) e lojas de informática.

Esse crescimento de 171,4% no número de segmentos de e-commerce visitados pelos internautas residenciais brasileiros está em linha com a idéia de Chris Anderson ao estudar o efeito da Cauda Longa. Esse mesmo fenômeno é encontrado em cada categoria ou assunto da Web local e deve continuar a aprofundar-se nos próximos períodos, o que garante boas chances de crescimento para novos entrantes de qualquer setor econômico.

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