Enquanto estava pensando no tema da minha segunda coluna para o WNews, o editor do site me pediu para falar sobre os 10 anos da Internet comercial. Tentei imaginar uma maneira de não cair em comentários ordinários como "Eu não consigo mais viver sem a Internet", "Meu trabalho ficou mais fácil com a Internet", "Tudo fica mais rápido com a Internet"... É verdade, sim, que os jornalistas hoje já não conseguem mais fazer seu trabalho sem ter à mão um PC conectado - e eu não sou diferente dos meus colegas de profissão. Mas o fato é que, se por um lado a Rede agilizou nosso cotidiano, também nos deixou um tanto preguiçosos.
Passamos a investir pouco em pesquisas nos bancos de dados físicos e a recorrer muito às bases de dados virtuais. Se algo que queremos não está na Internet, assumimos que ele simplesmente não existe. Não questionamos se procuramos ou não no lugar certo, se usamos parâmetros corretos de busca, se esgotamos todos os possíveis caminhos que levam à tão desejada informação.
Mudança nos relacionamentos
Mas a mudança mais gritante que a Internet provocou na profissão, na minha opinião, foi a maneira de nos relacionarmos com a fonte, aquela pessoa que nos passa informações privilegiadas, secretas e exclusivas que podem detonar escândalos e derrubar presidentes. Trocamos as conversas cara-a-cara com as nossas fontes por encadeamentos de e-mails e mensagens instantâneas. Muitas vezes, nem chegamos a conhecê-las pessoalmente, e por isso não nos é possível fazer a leitura de suas expressões faciais quando nos passam alguma informação. Como saber se aquela informação é verdadeira ou não? Como estabelecer aquela relação de confiança com a fonte? Checamos a informação por e-mail, com outra fonte também desconhecida?
Outro dia ouvi de um amigo indignado que seu editor lhe havia passado seis pautas para a edição do dia. Todas elas tinham seu grau de complexidade, com mais de uma fonte a ser consultada e informações que deveriam ser checadas e rechecadas antes de serem impressas, acompanhadas de gráficos, tabelas e outros elementos ilustrativos. Diante de seu protesto, o editor saiu-se com essa: "Você sabe usar a Internet, meu filho? Então dá para fazer todas essas matérias num piscar de olhos. As informações estão lá, é só dar uma 'cozinhada' (escrever a mesma coisa e outra forma) nos textos".
O que mais me espantou no episódio não foi o fato desse meu amigo ter recorrido integralmente à Internet para dar cabo da tarefa, mas o conselho dado pelo editor, um camarada de seus 48 anos que sempre prezou a importância das fontes para dar credibilidade aos seus textos e que construiu sua bem-sucedida carreira sem a ajuda da Rede.
O mundo é uma vila
Eu poderia citar aqui outros casos absurdos, mas estaria sendo injusta se achasse que, dez anos depois de transformar o mundo numa vila, a Internet apenas remodelou para a pior a maneira de fazer jornalismo. A Rede colocou ao alcance de nossas mãos uma quantidade de informação inimaginável em quase todos os idiomas.
Coube - e cabe - ao jornalista saber tirar o melhor proveito disso: usar essa montanha de dados para sugerir pautas criativas para seus editores acomodados ou para complementar as informações que as fontes - virtuais ou reais - forneceram. Hoje, eu uso a Internet para tudo e, clichê do clichê, não consigo me imaginar sem ela (cá estou eu fazendo aquela afirmação ordinária que eu prometi não fazer!!!). Foi por meio dela, por exemplo, que conheci pesquisadores do mundo todo a quem posso recorrer quando escrevo sobre ciência - seja para tirar uma dúvida, seja para procurar informações complementares, seja para buscar uma pauta.
Comida de papel
E é por meio dela que, ao procurar informações sobre gastronomia, um dos meus hobbies, deparo com histórias inusitadas, como a do chef Homaru Cantu, que comanda a cozinha do Moto, restaurante concorridíssimo de Chicago. Formado no Le Cordon Bleu, a tradicional escola francesa de artes culinárias, Cantu é um dos chefs mais inventivos da cozinha ocidental. Ele brinca com sabores, ingredientes e aparência dos pratos e transforma diariamente o menu da casa. Por essa inventividade toda, os clientes chegam a desembolsar US$ 240 por pessoa em uma única refeição (menu degustação de 20 pratos e com vinho).
As inovações de Cantu não se limitam aos sushis e a outras especialidades asiáticas da casa. Há pouco tempo, ele virou notícia quando patenteou uma técnica para fazer comida de papel, que pode ter sabor de qualquer coisa - de sushi a Coq au vin. "A gastronomia tem de andar de braços dados com a tecnologia", disse ele à época. Para colocar gastronomia e tecnologia no mesmo passo, Cantu modificou uma impressora jato de tinta comum - dessas, que qualquer pessoa tem em casa -, substituindo os cartuchos de tinta convencional por outro contendo mistura líquida de vegetais e frutas.
No lugar do papel de celulose, colocou folhas feitas com soja e fécula de batata. Baixou imagens da Internet (sushis, temakis, cenouras, tomates e outros vegetais) e imprimiu-as usando seu preparado e suas folhas comestíveis. Não contente, experimentou fritar, assar e congelar os pratos de papel, depois de empaná-los com uma farinha feita de molho de soja, açúcar, vegetais e creme de leite azedo desidratado.
Agora, Cantu trabalha em conjunto com a DeepLabs para criar uma impressora 3D capaz de dar forma tridimensional não somente aos pratos da casa, mas a garfos, mesas, guardanapos e cadeiras. Tudo, é claro, de papel comestível. Inclusive o cardápio.
Gadgets que amamos
Star Wars
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Fãs da saga Guerra nas Estrelas vão adorar. De carona no episódio em que George Lucas revela como o jovem jedi Anakin Skywalker se transformou no maligno Darth Vader, o site britânico "I want one of those" está vendendo o que chama de "autênticas réplicas" dos sabres de luz. O brinquedinho, com versões de feixe de luz nas cores que representam os dois lados da Força, vem com um chip pré-programado com os efeitos sonoros da espada futurista: os famosos "pshhhhhewwwwww" (quando acendem), e os "whummmmm, whummmm" quando se movimentam no ar. Preço no site: 99,95 libras cada, ou 189 libras o par. Pena que a loja não entrega no Brasil. |
Detector de mentiras
Os ingleses resolveram deixar a fleuma de lado para testar, de modo sádico, a honestidade das pessoas mais próximas (parentes, colegas de trabalho, parceiros e amigos), que se aventuram a segurar o Shocking Liar.
Só o nome já seria de deixar qualquer um com a pulga atrás da orelha, mas a julgar pelo sucesso que o aparelho anda fazendo, os súditos da coroa britânica vêm mostrando que, além de sádicos, também são masoquistas.
O detector de mentiras funciona com baterias AA comuns. É uma semi-esfera com um local para a vítima colocar sua mão enquanto é interrogada. À menor mentira, o aparelho produz uma descarga elétrica -leia-se choque mesmo- e, pronto, já está identificado o mentiroso. Como isso acontece? O dispositivo vem com uma configuração de perguntas pré-programadas. Das mais pesadas às mais leves. À medida que mais perguntas são feitas, menores são as chances de a vítima evitar o choque. 
Bola de cristal
Cansado daquelas caixinhas quadradinhas, que destoam da decoração enquanto identificam chamadas telefônicas? Se você adora brinquedinhos hight-tech, com certeza vai amar o Infoglobe. Parecido com um a bola de cristal, o aparelho mostra em sua cúpula informações flutuantes, como o número que está chamando ou sendo chamado, ligações em espera, hora, data, calendários ou mensagens de alerta pré-programadas. Custa US$ 49 e pode ser comprado no site ThinkGeek.com (http://www.thinkgeek.com/gadgets/electronic/5c83/).