Quando a Internet dava seus primeiros passos, em 95, criei a Yes!Design, voltada para a produção na Internet, e virei um dos pioneiros da Web brasileira. Uns três anos depois, virei presidente da StarMedia no Brasil. Morei em Nova Iorque, participei do IPO da StarMedia e, em 2000, fundei com mais três sócios a Ideia.com, trazendo para o Brasil o conceito de Strategic Economic Network para projetos de Internet e Tecnologia. Hoje sou sócio da Sixpix (Fotosite, S/N, Pix) e do e-Lab SSJ. Sou empreendedor e aventureiro, no melhor dos sentidos - viagens de jipe mundo afora - e apaixonado por ambos. De empreendedorismo falo sem parar, escrevi um livro, publico um Blog semanal e dou palestras Brasil afora.
Os empreendedores vivem em um mundo de incertezas. Todos eles vivem assim, e talvez não se dêem conta disso ou achem que não é bem assim. Mas, com certeza, o empreendedor vive em um mundo de enormes improbabilidades.
Empreender já é, por si só, algo improvável, assim como é quebrar paradigmas, inovar, pensar fora da caixa. Empreender é correr risco - não é saltar de pára-quedas sem pára-quedas como gosto de ilustrar em minhas aulas e palestras. Mas é seguramente algo que requer uma boa dose de convivência com o risco, a dúvida e a ambigüidade.
Nunca me esqueço de uma lição de relatividade que tive de um professor de estatística na faculdade. Ele dizia: algo pode ter uma chance muito, muito baixa de acontecer, mas depois que aconteceu com você, aí virou 100%. ;-)
Empreender é bem assim, a probabilidade de dar certo é mínima, mas quando dá, vira 100%!
100% sua, 100% intensa, 100% recompensadora, 100% realizadora! É 100%! E é por isso, só isso, que faz tanto sentido.
Mas sobre o improvável: estive uns dias no Rio de Janeiro e adoro conversar com os motoristas de táxi. Eles sabem tudo, têm uma filosofia de vida toda deles, conhecem gente de todos os tipos e lugares. E, no Rio, ainda têm uma jinga toda especial, esperta, de quem está o dia todo na rua e conhece a cidade como a palma da mão.
Num dos trajetos, pego um senhor já mais velho, tipo uns 60 anos, com luvas de dirigir, tintura e gel no cabelo. Ele tinha um papo bom e divertido. Perguntou–me de onde eu era. Quando respondi de São Paulo ele me disse: “quando eu vim pro Rio eu vim pra São Paulo...” hum? Como assim perguntei: “vim do Recife e fui pra São Paulo. Era julho e peguei um frio, mas um frio... que disse pros meus amigos de lá... vou-me embora. Não agüento esse frio... já comprei a passagem e estou embarcando de volta pro Recife, com paradas em uma lista enorme de cidades, sendo o Rio a primeira.
Entendi, disse, dando corda pra conversa. Ele continuou imediatamente: “No ônibus, sentei ao lado de um casal que ia pro Rio que perguntou para onde estava indo. Contei a história sobre o frio de São Paulo. Eles me disseram: vai nada, vai pro Rio. Lá é quente e você vai se dar bem. Vou é morrer de fome. Eles disseram vai nada, fica lá em casa. Ao chegar no Rio, resolvi descer com eles e aceitar o convite. Hospedei-me no quartinho dos fundos da casa deles. Três dias depois, eles me apresentam um amigo que disse que na empresa de ônibus em que trabalhava estavam procurando faxineiros... e lá fui eu”.
Fiquei ouvindo aquela história e pensando com meus botões: não é só empreender que é improvável, a vida é improvável. Ai o motorista do táxi engatou de novo o papo: “comecei na empresa de ônibus como faxineiro em 1967 e saí em 2007 como gerente. Lá fui tudo, faxineiro, cobrador, motorista, inspetor e me aposentei como gerente da empresa”, finalizou o senhorzinho do cabelo acaju com gel e luvas de dirigir já meio gastas.
Que história!, penso eu. E eu achando que empreender é improvável... Viver é que é improvável.
Mas o lindo, o mais maluco, a coisa que quebra nossas pernas, é que o improvável acontece! 100%! ;-))