O Twitter é essa nova forma de comunicação que mistura os blogs com as mensagens instantâneas, mas que ainda não tinha sido apresentado ao respeitável público. Apesar de cavalgar na bolha do tecnoentusiasmo, continuava há mais de dois anos gramando no nicho.
Em abril de 2008, o domínio twitter.com chegou a ser visitado por 279 mil internautas residenciais no Brasil, segundo o IBOPE//NetRatings. Em janeiro de 2009, cerca de 225 mil voltaram ao site. Isso é 0,9% dos internautas regulares. O Twitter até chegou a superar 1 milhão de usuários no Brasil em alguns meses de 2008, anabolizado por distribuição de vírus pelo Orkut, mas a audiência real sempre foi minúscula. O IBOPE Inteligência foi para o meio de heavy users na Campus Party e constatou que 76% não usavam Twitter.
Mas em fevereiro de 2009 o Twitter deu um salto, atravessou a linha mágica que separa os números miúdos (0,9%) dos apenas pequenos (1,4%) e furou o olho de quem via a ferramenta com desconfiança, entre os quais me incluo. Com 344 mil usuários mensais, a audiência de twitter.com no Brasil começa agora a acordar, assim como vinha fazendo desde dezembro em países de língua inglesa, como Reino Unido e Estados Unidos, e na Espanha. Nesses países, o aumento ocorreu primeiro entre internautas que navegam do trabalho e agora também chega às residências.
Acessos pelo celular
É preciso explicar que essas pesquisas estão captando as visitas ao site twitter.com, ignorando-se os contatos por meio de outros equipamentos que não um computador. Os acessos por outras formas baseadas na internet, como os aplicativos, também são coletados nessas estatísticas, e eles continuam bem menores que os acessos diretos à página twitter.com.
Não há ainda um grande levantamento feito fora da internet que defina qual a proporção de usuários do Twitter que acessam o serviço por outros equipamentos que não o computador. A respeitada pesquisa Pew/Internet foi a campo nos Estados Unidos e conseguiu chegar perto da respostas. Disse que 76% dos twitters americanos adultos usam internet móvel, misturando computadores, handhelds, PDAs e celulares. Mas deixou dúvidas quanto ao número exato dos que usam o celular para tuitar.
De concreto, a pesquisa mostrou principalmente que há forte afinidade dos usuários do Twitter com esses aparelhinhos móveis, deixando pistas para o mercado de telefonia.
Apesar do crescimento na audiência do tráfego no Brasil, ainda não foi desta vez que o microblog livrou-se de ser classificado como “nicho”. Esse rótulo torna-se injusto dentro de alguns meses, porém, se a audiência continuar aumentando.
Os dados internos do tráfego do Twitter não autorizam o exercício da futurologia, mas contribuem para compreender o que ocorre hoje com a ferramenta. No Brasil um quinto dos visitantes de fevereiro passou pela página de login e um quinto também foi a parte dos que chegaram ao site a partir de links divulgados dentro do Orkut.
Também houve uma fatia semelhante que transitou entre o microblog e um blog de divulgação de P2P. Como o tráfego no formulário de assinaturas foi insignificante, pode-se dizer que audiência do Twitter no mês de fevereiro foi dividida entre velhos usuários amantes da ferramenta e novos visitantes que não estavam interessados em assiná-la.
Audiência no exterior
Fora do Brasil, o caminho é diferente, com um pouco mais de participação dos buscadores na composição do tráfego. No Reino Unido, em que a ferramenta passou a Linkedin e já encostou na Bebo, o índice de mensal de transferência dos buscadores para o twitter.com já está em cerca de 30%. E há mais gente ainda no formulário de assinantes (29%) do que na página de login (18%).
Nos países de língua inglesa, percebe-se um crescimento da página de login na navegação do trabalho e um aumento da participação dos buscadores na geração de tráfego em ambiente residencial.
Mesmo pequenos, esses números começam a mostrar que no trabalho há mais quem contribui, enquanto em casa ainda há mais quem só lê. As atualizações no horário de trabalho geram o conteúdo que os buscadores levam para quem está em casa. Os dados igualmente sugerem que a turma que lê em casa pode começar a se interessar em também ser assinante. Mais assinantes colaboradores atraem mais buscadores de conteúdo.
A audiência assinante e colaboradora ainda é a maior parte dentro do pequeno Twitter. Mas os que chegam por meio de buscas ainda não são representativos. É preciso que essa massa leitora que desembarca dos buscadores continue aumentando para que o Twitter consiga sair do nicho. Isso, sim, vai render interesse publicitário.
Mas para isso o conteúdo tem de ser interessante para o internauta comum, como na Wikipédia e no Yahoo Respostas. Informações em tempo real ou pitacos pessoais gerados por pessoas anônimas têm dificuldade de alcançar esse internauta médio pelos microblogs.
Neste momento, os portais se mantêm como a fonte rápida e confiável para informações em tempo real e as conversas pessoais por messengers ou por redes sociais propriamente ditas satisfazem a maioria dos usuários. É aqui que começa a batalha do Twitter.