Buenos Aires - Câmeras digitais que cabem na palma da mão. Celulares ultra modernos, que tiram fotos que podem ser enviadas na hora a qualquer lugar do mundo. Turistas encantados com a beleza do shopping center Village Recoleta, com a magnífica arquitetura da livraria Ateneu, da sorveteria Pérsico... A combinação perfeita para montar um lindo álbum de fotos das férias maravilhosas na capital mais européia da América Latina.
Tudo não passa de desejo. Na Argentina, a evolução da tecnologia que permite que um aparelinho de menos de 10 centímetros quadrados tire fotos com perfeita qualidade digital anda na contramão de uma sociedade que desconfia da própria sombra. Para quem não sabe, é proibido tirar fotos em lugares como os sofisticados shoppings da Recoleta ou o paraíso dos sorvetes, como a Pérsico.
E o pior é que ninguém sabe dar uma explicação do motivo para tamanho absurdo, que, neste caso, (perdão do trocadilho) também é mudo. Os homens da segurança se limitam a pedir com gestos, sem abrir a boca, que você guarde a máquina porque ali é proibido fazer fotografias.
Turistas e argentinos têm as suas teorias. Há quem diga que é medo de assalto. Se nos bancos não se pode usar celular, também não vão deixar fotografar nada. Em que pode ajudar uma foto num plano de assalto? Pode indicar as saídas para a fuga. Pode mostrar onde fica a caixa forte. Pode muito.
Nada disso. Um turista me disse uma vez que isso tem a ver com conspiração. “É a concorrência, querendo registrar como se trabalha para copiar o que é interessante”. “Es para romper las pelotas” (É para encher o saco), disse um argentino outro dia, quando sua mulher foi repreendida na sorveteria tirando uma foto da mousse de chocolate.
A salvação para quem não quer deixar de resgistrar o que é bonito de se ver vai a ser a própria evolução da tecnologia. Câmeras cada vez menores para que os seguranças não percebam que estamos querendo apenas nos divertir.