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Tutorial: Recuperando arquivos apagados
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Julio Preuss - 12/04/2006 - 19:58

Entre as versões 5 e 6.22 do velho DOS, o sistema operacional da Microsoft que antecedeu o Windows e coexistiu com ele durante algum tempo, existia um comando externo chamado Undelete (literalmente, “desapagar”). O programinha, que já tirou muita gente de apuros, era capaz de, como seu nome sugere, recuperar arquivos apagados indevidamente do computador.

Isso era possível porque, quando mandamos excluir um arquivo, o sistema operacional não o apaga completamente – apenas marca o coitado como indesejado para que outras coisas possam ser gravadas naquele espaço quando necessário. Assim, se você não gravar mais nada no disco ou se tiver a sorte de tudo o que gravar ser depositado em outras áreas que não aquela previamente ocupada pelos arquivos apagados, será possível recuperá-los com uma ferramenta como o Undelete.

Nas versões mais novas do Windows, o advento da “lixeira” aparentemente tornou o Undelete desnecessário, determinando sua remoção do pacote. Mesmo que você copie o programa de um DOS antigo ele se recusa a funcionar. Ora, mas e se você acidentalmente apagar um arquivo de um disco removível ou cartão de memória, onde a lixeira não atua? Ou se optar por excluir um sem passar pela lixeira (isso é possível pressionando-se simultaneamente as teclas “shift” e “delete”), estará tudo perdido?

Programa gratuito pode salvar o dia

Figura 1Felizmente, não. Pela mesma razão técnica que permitia a existência do Undelete, agora temos uma infinidade de softwares de terceiros capazes de recuperar arquivos apagados. Alguns, como o ImageRescue, da Lexar (http://www.lexar.com/software/image_rescue.html), são voltados para situações específicas – resgatar fotos digitais apagadas acidentalmente de seus cartões de memória, neste caso (Figura 1). Outros, mais versáteis, se prestam a ressuscitar qualquer tipo de arquivo, mas quase sempre cobram caro por isso.

Em meio a uma infinidade de programas oferecidos em versões de demonstração que apenas informam o que você poderia recuperar se comprar os pacotes completos, entre US$ 40 e US$ 80, ou no máximo permitem resgatar uns dois arquivinhos, encontramos um “desapagador” totalmente gratuito, convenientemente batizado de FreeUndelete. Você pode fazer o download deste software na seção de downloads do WNews.

Não se trata de caridade ou nada parecido – a empresa vende uma linha completa de restauradores de arquivos diversos e distribui o FreeUndelete gratuitamente para se tornar conhecida no meio. Assim, se um dos arquivos que você tentou recuperar estiver corrompido (geralmente por algum outro já ter sido gravado sobre parte dele), sua primeira opção será adquirir um outro programa da Office Recovery.

Mais simples, só usando a lixeiraFigura 2

Mas, voltando ao FreeUndelete: não há muito o que aprender neste programa. Depois de baixá-lo e instalá-lo, você só precisa escolher a unidade de onde deseja recuperar arquivos, na coluna da esquerda, e clicar  no botão “Scan”, localizado logo acima dela (Figura 2). Se for um HD de bom tamanho, o processo pode demorar um pouco. Em nosso caso, como se tratava de um cartão de memória, tudo foi bem rápido.Figura 3

Terminada a varredura, o programa apresenta uma listagem de todos os arquivos que podem ser recuperados, informando sua localização, tamanho, data de criação/modificação e, mais importante, o estado (Figura 3). Sim, pois outros arquivos já podem ter sido gravados no mesmo local, comprometendo o conteúdo daqueles que se quer resgatar. Arquivos em bom estado (“good”) quase sempre são recuperados perfeitamente. Já os “poor”, podem não se prestar mais a nada.

Quanto mais atividade no computador depois da exclusão indevida de um arquivo, maior a probabilidade de um outro ser gravado em seu lugar. Por isso as chances de recuperar alguma coisa são maiores imediatamente após apagá-la e antes de reiniciar o computador, copiar outros arquivos, instalar programas e coisas assim. Até o trabalho do dia-a-dia pode ser prejudicial, já que arquivos temporários do Windows ou dos programas usados podem vir a sobrescrever aquele que vamos querer recuperar depois.

Cuidado com os nomesFigura 4

A listagem do FreeUndelete também permite filtar os resultados por pasta ou tipo de arquivo. Se estamos interessados apenas nos documentos do Word, por exemplo, basta escrever *.doc no campo correspondente, de modo a eliminar da lista todo o resto (Figura 4). Logo abaixo, devemos indicar o caminho onde serão gravados os arquivos recuperados – de preferência em uma unidade diferente da origem, para evitar que um deles seja gravado justamente sobre outro que pretendíamos recuperar em seguida.

Repare, também, que todos os arquivos recuperáveis têm nomes iniciados em “_” e muitos deles terminam em “~” seguido de um número. A falta do caractere inicial se deve justamente à forma como são marcados os arquivos apagados, enquanto a terminação numérica é decorrente do padrão original de nomenclatura do DOS, limitado a oito caracteres (exatamente onde acabam os nomes dos “recuperáveis”).

Na maioria dos casos, no entanto, é simples renomear os arquivos após a recuperação – isso só se torna problemático mesmo quando precisamos “desapagar” toda a pasta de um programa, por exemplo. Além de muitas vezes não termos a mínima idéia dos nomes originais dos arquivos para restaurar o primeiro caracter, qualquer letrinha errada provavelmente impedirá o funcionamento do programa. Se for o seu caso, talvez seja melhor reinstalar o software em questão, usando o FreeUndelete apenas para recuperar documentos insubstituíveis.

Formatação e destruição

Em tempo: graças a uma mecânica parecida, existem também os softwares que conseguem resgatar arquivos de discos formatados indevidamente. O processo é um pouquinho mais complicado e ainda não encontramos um programa gratuito que resolva tudo, mas vale a pena saber que isso é possível, caso um dia você precise. Novamente, quanto menos atividade no disco após o desastre, maiores as chances de recuperação.

Ah, e agora que sabemos como é fácil “desapagar” arquivos, é bom tomar cuidado na hora de se livrar de documentos sigilosos. Existem programas feitos para destruí-los completamente, gravando outras coisas sobre a área que eles ocupavam no disco a fim de impedir a recuperação. Segundo as agências de segurança americanas, um arquivo deve ser sobrescrito oito vezes para nos assegurarmos de que ficará irrecuperável!







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