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Multimídia e games

TV Digital: Alta definição a caminho (1)
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Guilherme Felitti - 30/01/2006 - 18:31

TV é um assunto tão importante no Brasil, que chega a ser difícil promover mudanças no sistema de transmissão. Imagine então decidir um novo padrão de transmissão que deverá mudar a forma de atuação de canais de TV, possibilitar novas atividades com o aparelho e atrair investimentos para o País. É mais ou menos nesse clima de diferentes necessidades que o Ministro das Comunicações, Hélio Costa, promete anunciar, na segunda semana de fevereiro, o formato de TV Digital que será implementado em redes de transmissão e recebido em aparelhos especialmente adaptados a partir de setembro.

Em duas reportagens, o WNews explica no que a decisão do Ministério das Comunicações muda a forma como você vê televisão hoje e no futuro. Na primeira parte, você vai saber as mudanças práticas - inclusive as diferenças dos padrões - entre a TV analógica que você assiste hoje e a digital, programada para estrear no País no final de 2007. Na segunda matéria, o WNews desenrola a história da TV Digital no Brasil frente ao avanço tecnológico no mundo.

Adeus, TV analógica

Imagine uma fita VHS e um DVD. Guardadas as devidas comparações, essa é a diferença que os brasileiros sentirão ao ver televisão após a instauração do padrão de TV Digital. Ainda que formem três diferentes blocos mundiais na transmissão de conteúdo, os padrões originalmente consideradores - o japonês (ISDB), o europeu (DVB) e o americano (ATSC) -partem de uma mesma premissa: no espectro usado hoje para a transmissão analógica de sinal, os três trafegam dados com taxa de até 19 Mbps com suas especificações digitais.

A explicação é fácil: pense numa estrada esburacada por onde trafega um caminhão – este é o sinal analógico. Com a codificação do conteúdo e a transmissão digital, a mesma estrada se alarga e ganha asfalto novo e, onde passava apenas um carro, passam inúmeros agora.

Mundo de possibilidades

Mais importante que o fim dos ruídos, “fantasmas” e chiados das transmissões analógicas, a compactação oferecida pelo codec MPEG (usado nas trocas de vídeos pela Web) permite que o mesmo espectro usado hoje apenas para a TV seja aproveitado para outras funções. No mesmo canal, a emissora pode transmitir dois programas de uma vez ou então reservar um espaço do espectro para conteúdo para celular.

Outra aplicação possível são conteúdos que promovem interação com os usuários, como programas de perguntas, por exemplo. “Com a TV Digital, o espectador poderá votar no eliminado do Big Brother ou comprar a roupa da atriz principal da novela com o controle remoto”, enumera Renato Sabatine, pesquisador da Unicamp responsável pelo desenvolvimento de aplicações de interação que utilizam a área médica.

Uma das aplicações desenvolvidas por Sabatine pretende medir, ainda que superficialmente, se o telespectador tem tendência à depressão. “Por meio de dois botões no controle, ele responde a um questionário elaborado por psicólogos. O resultado é uma alerta para que o espectador procure um médico, não um diagnóstico”, esclarece.

SDTV ou HDTV

Após a entrega do relatório do CPqD (Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Telecomunicações) sobre a viabilidade econômica de cada formato, falta ao Governo decidir qual sistema de transmissão será usado dentro do formato escolhido. “Há dúvidas a respeito do SDTV, o HDTV e ambos”, despista Ricardo Benetton, do CPqD.

O SDTV e o HDTV são as duas variações da tecnologia usada pela TV Digital, seja ela no formato americano, europeu ou japonês. Independente do formato escolhido pelo Ministério das Comunicações, as transmissões brasileiras suportarão os dois formatos. Fazendo uma analogia, uma rede wireless, mesmo com equipamentos de diferentes fabricantes, trafega dados pelo mesmo padrão 802.11.

A principal diferença entre ambos está, de novo, na compressão. Como atinge até quatro vezes mais pixels que o primeiro, o HDTV atinge resolução de até 1.920 x 1.080 pixels, enquanto o SDTV não passa, na maioria dos casos, da mesma resolução oferecida pela TV analógica.

Dois no páreo, um fora

Ainda que partam da mesma base, os três padrões apresentam diferenças, classificadas em políticas e técnicas, que podem pesar bastante na hora da escolha. Politicamente, o desenvolvimento de um determinado padrão por poucas empresas, como é o exemplo do ISDB, pode dificultar a adoção do formato japonês. Como fazem parte de alianças compostas por instituições de pesquisa e empresas privadas, a ATSC e o DVB ganham vantagem no quesito. “É difícil negociar com poucos fornecedores quando se tem uma rede como a do Brasil para transformar. Isso pode afetar os preços do set top box (equipamento que é ligado às TVs analógicas para converter o sinal digital) e a data do abandono da TV analógica”, ressalta Jonathas Vargas, responsável pelas transmissões da rede RBS em São Paulo.

Do ponto de vista técnico, porém, o ATSC apresenta uma grave limitação frente aos dois concorrentes: seu suporte à transmissão de canais móveis não foi revelado a tempo para o CPqD. Até a reunião do ministro Costa com a Câmara dos Deputados, no dia 31 de janeiro, o padrão americano não ainda se mantinha no páreo, mesmo com a falta de suporte citada acima.

"O consórcio ATSC se prontificou a atualizar a tecnologia para que permitisse a transmissão móvel, não disponível em nossos testes”, esclarece Ricardo Benetton, do CPqD. Durante o evento com parlamentares, no entanto, Costa oficializou que a escolha deverá ficar entre os padrões DVB e ISDB. Nessa briga, o formato japonês leva vantagem. Ao invés dos 4 Mbps ocupados pelo padrão europeu, a tecnologia japonesa usa apenas 300 Kbps, o que não compromete os 19 Mbps totais disponíveis no espectro para troca de informações.

As aplicações de interação devem ser algumas das ferramentas nacionais presentes na tecnologia de transmissão digital a ser adotada pelo Brasil, independente da escolha feita pelo governo. Como será explicado na segunda parte deste especial, melhorias na recepção e na codificação do conteúdo foram feitas pelo Brasil na frustrada tentativa de desenvolver um padrão próprio, o que tornará o sistema usado no País a partir de setembro um "Frankstein".







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