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Tutorial: upgrade de notebook
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Julio Preuss - 24/03/2006 - 11:05

Quem tem alguma familiaridade com os notebooks de uns três anos atrás provavelmente considera a dificuldade ou impossibilidade de atualização um dos grandes pontos fracos dos computadores portáteis. E se dissermos, então, que hoje em dia já pode ser mais fácil fazer um upgrade num notebook do que num micro de mesa? A constatação choca a turma “da antiga”, mas em muitos casos é a mais pura verdade.

Com portáteis mais fáceis de atualizar, abre-se um enorme leque de opções – tanto para quem precisa dar uma turbinada no seu note, quanto para quem ainda vai comprar um e está decidindo qual a melhor configuração para suas po$$ibilidades. Quem costuma viajar para o exterior, então, tem perspectivas ainda melhores de fazer um grande negócio se souber explorar a expansibilidade das máquinas modernas.

Vejamos um exemplo: você pode comprar um notebook básico no Brasil e, na primeira viagem para fora, aumentar sua memória de 256 MB para 2 Gb e trocar o disco rígido por um maior e mais rápido pela bagatela de US$ 400 – perfeitamente dentro da cota que viajantes internacionais podem trazer sem pagar imposto. Isso equivale a menos de R$ 1 mil, bem abaixo do que se gastaria para já comprar o computador assim e ainda sem considerar o dinheiro que se pode recuperar vendendo as peças que sobrarem.

Até comprar notebooks lá fora passou a valer a pena, veja só: Por US$ 600 você adquire um modelo básico, paga US$ 60 de imposto (60% sobre o que excede o limite de US$ 500) para entrar legalmente no Brasil e depois faz o upgrade, seja numa próxima viagem, seja com os componentes que a sua cara-metade pode trazer na cota dela (que não poderia ser combinada com a sua para trazer uma máquina mais cara).

É claro que tem gente que vai comprar o notebook baratinho, fazer o upgrade ainda no exterior e entrar no Brasil com a nota só da configuração original, mas aí já estamos falando de sonegação, coisa que jamais recomendaríamos aos nossos leitores. A proposta deste tutorial é só mostrar que atualizar micros portáteis se tornou uma prática simples e vantajosa. Quem decidir usá-la para o mal, o fará por conta própria!

Com espaço livre, aumentar memória é coisa de criança

Como já deu para perceber pelos parágrafos acima, os grandes candidatos a upgrade em um notebook são a memória e o disco rígido. Existe quem troque até o processador dos portáteis da linha AMD (um Sempron por um Turion, principalmente), mas isto ainda é a exceção, principalmente pela dificuldade de se obterem esses processadores avulsos e o mercado restrito para os que sobram.

Tratemos da memória primeiro, já que é o processo mais simples e que costuma render os maiores benefícios. Com os preços atuais dos Estados Unidos, dois módulos de 1 GB cada um podem sair por menos de US$ 200. Colocar 2 GB, o máximo na maioria dos portáteis, pode ser um exagero, mas ter 1 GB fará uma diferença enorme para os computadores atualmente equipados com menos que isso – e o acréscimo de 512 MB em uma loja chega a custar R$ 500 – um ótimo motivo para fazermos nós mesmos.

Talvez o único obstáculo para se aumentar a memória de um notebook moderno seja o mau aproveitamento dos encaixes: em modelos com 512 MB, é comuníssimo encontrá-los divididos em dois módulos de 256 MB, mais baratos que um só módulo de maior capacidade, mas que acabam ocupando todos os espaços disponíveis. Se você tiver como, exija, ainda na hora da compra, que seu notebook venha com um único módulo.

Caso contrário, o que seria apenas questão de adicionar um “pente” de memória, acaba exigindo a remoção de pelo menos um dos existentes e a compra de módulos de maior capacidade. Para ter 1 GB no exemplo acima, ou se passa os dois módulos de 256 MB adiante e se coloca um de 1 GB (não vá acabar de novo com suas opções de expansão e colocar dois de 512 MB, por favor), ou se parte para um valor quebrado, como 768 MB ou 1,25 GB, abrindo mão de um só pente de 256 MB.

Uma chave Philips, 5 minutos e mais nada

Todo notebook usa módulos de memória diferentes dos feitos para computadores de mesa – muito menores como é de se imaginar. Nos modelos antigos, pelo menos um dos encaixes (ou slots, no jargão do meio) para esses módulos ficava sob o teclado, exigindo sua retirada para fazer o upgrade. Felizmente isso praticamente acabou, e agora a maioria traz dois slots facilmente acessíveis pela parte de baixo do computador.

Depois de descobrir – seja pela consulta à documentação do equipamento, seja abrindo o dito-cujo e conferindo com os próprios olhos – se o notebook tem slots livres e qual o tipo exato de memória que ele usa (DDR333, DDR400, DDR2 ou coisa parecida) é só comprar o(s) módulo(s) novo(s) em um loja ou pela Iinternet, arranjar uma chave Philips das bem pequenas e colocar mãos à obra.

Se o seu notebook tem a tal tampinha cobrindo os slots de memória na parte de baixo, basta desatarrachar os parafusos que a mantêm presa para dar de cara com as plaquinhas verdes, cheias de chips. Uma presilha metálica em cada extremidade é o que costuma segurar o módulo no slot – empurre-as para fora e a memória saltará em diagonal, pronta para ser cuidadosamente retirada (assumindo que você não tenha nenhum slot livre ou precise de todos, é claro). No computador das fotos que ilustram este tutorial, os dois módulos, que ficam semi-sobrepostos, precisavam ser retirados.

Depois, é só inserir cuidadosamente as memórias novas, respeitando a posição dos contatos elétricos – é impossível encaixá-la de cabeça para baixo devido à ranhura entre os dois conjuntos de contatos, mas muita gente não percebe e fica forçando o encaixe até danificar alguma coisa. Assim como saíram, elas entram em diagonal e devem ser abaixadas até a posição correta, onde as presilhas metálicas farão um “clec” que muito provavelmente indicará que o encaixe foi perfeito. Fecha-se a tampa e pronto: não é preciso configurar nada no computador para a memória funcionar.

HD novo traz mais espaço e velocidade

O segundo melhor upgrade de um notebook é o disco rígido, ou HD. Além de, obviamente, oferecer uma capacidade maior para seus programas e arquivos, um disco novo pode melhorar consideravelmente o desempenho do computador. Como? É que os HDs de notebooks mais simples giram a 4200 RPM (rotações por minuto), enquanto os modelos melhores chegam a 5400 RPM ou até 7200 RPM, além de muitas vezes virem com mais memória interna, ou cache (pronuncia-se “quéche”, nunca “cachê”).

Rodando mais rápido e com cache maior, esses HDs agilizam o acesso ao dados e tornam todo o sistema mais rápido. Ironicamente, quanto menos memória RAM você tiver, maior o benefício proporcional. Ou seja, se você acabou de fazer o upgrade sugerido acima, um HD novo não fará tanta diferença quanto se o seu notebook ainda estiver se engasgando com parcos 256 MB de memória.

Há quem questione a adoção desses discos de alta velocidade devido a um suposto aumento no consumo de energia – questão crítica quando se trabalha muito “na bateria”. Só que os modelos mais novos costumam ser mais eficientes, além de, por serem mais rápidos, precisarem trabalhar por menos tempo. E já que falamos de bateria, aumentar a memória faz bem para ela, pois o computador acaba acessando menos o disco, que consome mais energia.

Migração dos dados exige atenção

Trocar o disco de um notebook já não é tão simples quanto o upgrade da memória. Não pela parte física, que consiste apenas em alguns parafusos a mais, mas pela parte lógica. Como não dá para simplesmente acrescentar um segundo HD, como às vezes fazemos com a memória ou com os discos de computadores de mesa, será preciso substituir o disquinho atual pelo novo e copiar todo o seu conteúdo.

A maneira mais fácil de fazer isso é comprando uma “gaveta” externa para notebooks. Este acessório permite transformar um disco rígido interno em externo e plugá-lo numa porta USB. Para mais informações, é só consultar o teste que publicamos sobre o NexStar 3, da Vantec. A principal diferença é que aquele modelo era para HDs comuns, de 3,5 polegadas, enquanto agora precisamos de um para discos de notebook, de 2,5”.

Com o disco novo instalado na “gaveta”, um programa gerenciador de partições como o Partition Magic ou o Partition Manager será capaz de copiar toda a estrutura do drive original para o outro e ainda aumentar o tamanho da partição para aproveitar toda a nova capacidade. Se você preferir, uma alternativa ainda mais simples é usar o software Migrate Easy, criado especialmente para isso.

Em alguns casos, os softwares indicados não serão capazes de copiar o disco devido às gracinhas que certos fabricantes fazem na hora de instalar o sistema operacional. Se as primeiras tentativas falharem, talvez seja mais simples trocar logo os discos, instalar todo o sistema do zero no HD novo e depois copiar os dados para lá a partir do disco velho, devidamente “engavetado”.







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