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IT Pro: Corporativo

O que não decolou em 2007
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Edileuza Soares e Tatiana Schnoor - 12/12/2007 - 14:50

Os brasileiros compraram em 2007 mais de 10 milhões de computadores, 23% mais que em 2006, segundo dados da Abinee. Desse total, 2,1 milhões foram notebooks - nunca se vendeu tanto laptop no Brasil.

Muitas dessas máquinas se conectaram à Web e a Internet brasileira cresceu 21%, alcançando a marca histórica de 39 milhões de usuários, de acordo o Ibope/NetRatings. Esses internautas ajudaram a empurrar a banda larga no País, com conexões que já chegam a velocidades para o usuário final de até 10 MB.

E, a telefonia celular deverá fechar este ano com 118 milhões de terminais em uso, prevê a Anatel. Com tantos consumidores ávidos por novidades hightech, a indústria jogou muitos lançamentos no mercado em 2007, mas nem tudo caiu no gosto popular. O WNews fez uma pesquisa sobre algumas tecnologias que ainda não emplacaram, que ficaram para o próximo ano e histórias que foram vexatórias para o mundo da tecnologia. Confira!
 
Windows Vista - Vendas abaixo do esperado

A atual mais nova versão do sistema operacional da Microsoft chegou às lojas em janeiro de 2007, após cinco anos do lançamento do XP. As expectativas de vendas eram altas, já que o produto tem uma série de novidades multimídia e segurança reforçada comparada ao seu antecessor. Porém, a curva de adoção do Vista ainda é lenta.

De acordo com o NPD Group, as vendas do Vista no varejo americano ficaram abaixo do esperado. Nos seis primeiros meses, a comercialização do produto foi 59,7% menor em comparação com os volumes do XP registrados no mesmo espaço de tempo. Com os resultados, a Microsoft estima agora que a grande procura do programa aconteça mesmo em 2008, quando se espera que o Vista represente 85% das vendas do Windows e o XP 15%.

Windows Server 2008 – Lançamento adiado  

A versão do novo sistema operacional da Microsoft para servidores estava prevista para chegar ao mercado em 2007. Mas o cronograma não foi cumprido e a entrega da tecnologia ficou para o próximo ano. O lançamento está marcado para o final de fevereiro, quando também serão apresentadas as versões 2008 do Visual Studio e SQL Server.

e-CPF – Custo inibe vendas de certificados digitais 

O uso da certificação digital no segmento corporativo e em órgãos de governo deu um salto no Brasil em 2007, mas a adesão da tecnologia pelo usuário final ainda não aconteceu. O e-CPF tem a missão de reforçar a segurança das operações na Web, mas seu custo é considerado alto para o poder aquisitivo do brasileiro, que ainda não vê valor na tecnologia.

A grande esperança do ITI (Instituto Nacional de Tecnologia da Informação), órgão do governo federal que controla a emissão dos certificados de acordo com as normas da ICP-Brasil, eram os bancos para popularizar a identidade eletrônica. Mas até agora, o setor bancário ainda não encontrou um modelo de negócio para massificar o e-CPF. O Banco do Brasil resolveu abraçar a causa, lançando um kit por cerca de R$ 230 e espera entregar 200 mil certificados aos seus clientes até o final de 2008.
  
Set-top box - Cadê o conversor de R$ 120?

Desde quando começou-se a falar de TV Digital e nos equipamentos que os brasileiros teriam de comprar para assistir às primeiras transmissões da nova televisão, o governo federal disse que o conversor do sinal analógico seria vendido à população por R$ 120.

Do ano passado para cá, esse valor subiu consideravelmente. Da casa dos R$ 100, o ministro das Comunicações Hélio Costa teve de rever suas projeções e passou a falar de preços, como R$ 200, R$ 300 e até R$ 400. Na data de lançamento da TV Digital, no dia 2 de dezembro, poucos set-top boxes estavam à venda e os preços extrapolaram as previsões do governo. Os valores praticados não são inferiores a R$ 500.

Wi-Max - Leilão das freqüências sem definição

O Wi-Max é uma tecnologia desenvolvida para oferecer banda larga sem fio. No plano do governo federal, essas redes serviriam para conectar áreas que ainda não são atendidas pela tradicional cobertura de banda larga no Brasil, assim como, regiões que não têm infra-estrutura telefônica ou de TV por cabo.

A Anatel chegou a promover o leilão de licenças de operação da tecnologia Wi-Max no ano passado, mas a licitação acabou sendo suspensa a pedido do TCU (Tribunal de Contas da União), que não aprovou o valor do lance mínimo das freqüências, e por recursos de operadoras fixas que ficaram de fora da disputa. Até agora, não há data definida para que o leilão ocorra. A Anatel espera que aconteça no primeiro trimestre de 2008.

iPhone -  Sem 3G deixa a desejar

A manchete da maioria dos veículos e blogs especializados em tecnologia na época do lançamento do iPhone, em junho, tinha mais ou menos esse tom: iPhone chega, mas sem 3G. Em plena ebulição da terceira geração de telefonia celular nos Estados Unidos, Europa e Ásia, o mais aguardado dos aparelhos chegou ao mercado sem a tecnologia. Nesse quesito a Apple deixou a desejar. Tanto é que pouco tempo depois do lançamento, a companhia começou a falar de uma nova versão 3G, que deve chegar ao mercado em 2008.

Zune – iPod tira brilho do MP3 da Microsoft 

O player digital da Microsoft, que foi lançado no final do ano passado com o intuito de concorrer com o poderoso iPod, não teve o impacto de vendas desejado pela companhia de Bill Gates. O grande apelo do Zune é o recuso Wi-Fi que dispensa cabos para troca de arquivos. A Microsoft até cumpriu a meta de vender 1 milhão de unidades sete meses depois do lançamento do player, mas nada comparável aos 100 milhões de iPod vendidos pela Apple.

Rádio digital – Só em 2008

A promessa do governo federal é que a rádio AM tenha qualidade de FM e que a FM tenha qualidade de CD. O projeto da Rádio Digital era para ter saído do papel este ano, mas os brasileiros só ouvirão esse tipo de transmissão em 2008, segundo o Ministério das Comunicações e ao que tudo indica terá aspectos semelhantes à TV Digital.

A mudança do sistema analógico para o digital tem alto custo para emissoras e consumidores - as rádios gastarão, no mínimo, US$ 30 mil com o modulador necessário para a migração. Para se ouvir a rádio digital, será preciso comprar um receptor, que, segundo o ministro das Comunicações, Hélio Costa, vai custar algo em torno de R$ 70.

Internet sob censura – Vídeo polêmico de Cicarelli

Até onde se sabe e a Marinha permite, a praia é um espaço público. Se as pessoas tentam fazer algo particular em local comum deveriam saber que correm o risco de serem vistas, principalmente, se são famosas e chamam a atenção. Em tempos de Internet, YouTube e paparazzi, como uma das modelos mais famosas do Brasil poderia passar desapercebida ao protagonizar cenas tórridas de amor em praias estrangeiras?

Não, não há como. Mas mais difícil ainda é acreditar que conseguiria impedir judicialmente a difusão de um conteúdo pela Internet depois que ele cai no gosto popular. Foi o que a modelo e apresentadora Daniela Cicarelli tentou fazer quando o seu vídeo vazou na Rede. A pedido do casal, a Justiça tentou bloquear as imagens, criando uma polêmica no Brasil sobre censura na Internet. Operadoras de telecomunicações e provedores foram obrigados a cumprir a decisão da Justiça, mas como a Web não tem fronteiras, os esforços foram em vão.

Fim da Web – Em defesa da indústria musical

Quem pagou esse mico foi o cantor inglês Elton John, que durante entrevista ao jornal "The Sun" pediu o fechamento da Internet, por considerar que a Web está acabando com a indústria musical. Ele criticou duramente as pessoas que ficam em casa navegando na rede e acessam blogs. O cantor chegou a incitar a população a sair às ruas e marchar em protesto contra o uso da Internet. Inacreditável.

M-Payment – Em busca de adesão

A substituição dos cartões de crédito e de débito pelo celular ainda não ganhou adesão no Brasil por falta de definição de um padrão. O Brasil já conta com iniciativas como da Oi e do HSBC e este ano Telemig, Banco do Brasil e Itaú anunciaram projetos para transformar o terminal móvel em carteira eletrônica.

As duas instituições financeiras resolveram explorar a tecnologia sem fio aproveitando a rede de POS (terminais de pagamento) de administradora de cartões de crédito. O Banco do Brasil fechou parceria com a Visanet, que processa a bandeira Visa e o Itaú se aliou à Redecard, que faz transações de clientes da MasterCard. São projetos que ainda estão em teste e, segundo especialistas, ainda precisarão de tempo para amadurecer.

Mobile banking – À espera de um padrão

Assim como o M-Payment, o banco móvel ainda está em busca de um padrão para decolar no Brasil. O tema esteve nas discussões centrais do Ciab 2007, feira e congresso promovido pela Febraban (Federação Brasileira de Bancos), que reúne a comunidade financeira.

CIOs de bancos como Itaú, Banco do Brasil, Real ABN Amro e Unibanco, admitiram que colocar o mobile banking na rua não é uma operação simples, pois o serviço depende de interoperabilidade entre dispositivos e toda a cadeia que processa as transações. Eles têm projetos para operar o banco no celular, mas dizem que essa é uma tecnologia para os próximos três anos. 


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