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Ponto de Teste

MuVo2: caixinha de música – e de surpresas
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Por Julio Preuss

tela O Nomad MuVo2 faz parte de uma categoria de MP3 players popularizada pelos iPods, da Apple, e geralmente conhecida como MP3-Jukebox. O apelido se deve à sua ampla capacidade de armazenamento de músicas, que os equipararia aqueles trambolhos típicos de bares americanos dos anos 50 e 60, onde o cliente podia escolher o disco que quisesse ouvir e, no caso dos LPs e CDs (mais recentemente, óbvio), a faixa desejada.

Mini-HD

BateriaDiferente dos MP3 players tradicionais, com algo entre 32MB e 512MB de memória flash, os jukeboxes são equipados com discos rígidos miniaturizados de capacidade na casa dos gigabytes. Só perdem para os MP3 players baseados em memória no consumo de bateria e na maior sensibilidade a impactos – já que por terem partes móveis poderiam ser danificados mais facilmente, embora não se tenha notícia de casos assim.

O estrondoso sucesso comercial do MuVo2 se deve justamente a esses mini-HDs. Logo que chegou ao mercado, o jukebox da Creative ganhou notoriedade em sites de hardware depois que descobriram que dentro dele havia um microdrive da Hitachi idêntico aos usados como cartão de memória em algumas câmeras digitais que aceitam cartões CompactFlash Type II. A diferença é que os microdrives de 4GB, quando vendidos separadamente, custavam US$ 600, ou quatro vezes o preço do MuVo2, encontrado lá fora a partir de US$ 150 e, aqui no Brasil, a R$ 850 no mercado informal.

CostasO MP3 player em questão logo se tornou um dos produtos mais vendidos de sua categoria e passou meses esgotado em todas as lojas dos Estados Unidos, pois todas as unidades postas à venda foram rapidamente adquiridas por espertinhos interessados em canibalizar seus HDs. Guias de como fazê-lo proliferaram na Internet, assim como carcaças vazias ou “downgraded” com cartões de 256 e 512MB se tornaram figurinhas fáceis em sites de leilão. A Creative pode até ter gostado do “sucesso”, mas a Hitachi, não.

DiagonalTempos depois, o MuVo2 começou a ressurgir nas lojas, agora com um misterioso Version 2.0 adicionado ao nome. Os escovadores de bits não tardaram a descobrir que a nova versão trazia um microdrive à prova de canibais, pois um de seus contatos elétricos havia sido amputado de modo a impedir o uso em câmeras digitais. Lamentavelmente, diversos MuVo2 foram inutilizados até que se tivesse certeza da impossibilidade, pois uma vez retirados do aparelho, dificilmente os microdrives voltavam a funcionar.

Junte-se a isso o fato de a Hitachi ter “redefinido suas estratégias comerciais” (tomado vergonha na cara) e reduzido sensivelmente os preços dos microdrives avulsos e o MuVo2 voltaria a ser “apenas” aquilo que deveria ter sido desde o início: um belo e relativamente barato MP3-Jukebox. A festa acabou, mas pelo menos o produto voltou a ser analisado pelo que se propõe a ser, e não pelo “brinde” descoberto em suas entranhas.

Pretinho básico

LateralO MuVo2 que testamos, um pretinho básico de 4GB (existem também modelos de outras cores e de 512MB a 2GB), mede 6,6 x 6,6 x 2 cm e tem a frente tão brilhante que parece um espelho, mas fica cheia de marcas de dedos. As laterais e o verso, de plástico prateado, são bem menos suscetíveis aos efeitos de mãos engorduradas. Existe um orifício na lateral para se prender uma alça de mão, mas faz falta um clipe para cinto ou estojo de proteção. Na traseira há um tampa que aloja a bateria proprietária de íon de lítio e 3,6V, com duração estimada pelo fabricante em 10 horas de uso contínuo. Com a bateria o aparelho pesa 90g.

FoneOs únicos acessórios fornecidos na embalagem são os fones de ouvido e os cabos de conexão ao computador e carga da bateria, todos conectados nos encaixes situados na face superior do aparelho. Lá existe também uma entrada para controle remoto com sintonizador de rádio FM e microfone, mas só é possível usar um modelo proprietário, da própria Creative, difícil de achar até nas grandes lojas virtuais americanas. Uma pena, pois o MuVo2 daria um ótimo gravador de voz para nós jornalistas, por exemplo, e a ausência da função de rádio “de fábrica” é um ponto negativo.

Dois botões de controle

FrenteO MuVo2 tem apenas dois botões de controle, ambos na frente do aparelho e menores do que gostaríamos que fossem: um liga/desliga que também funciona como play/pause e um controle direcional com cinco posições, usado para acessar e navegar no menu e para mudar o volume e a faixa a ser reproduzida – faltou uma forma prática de travar os botões para evitar acionamentos indevidos com o aparelho no bolso, pois no MuVo2 isso só é possível por software, através do menu de controle.

Logo acima do botão direcional está o visor de LCD monocromático que exibe o tempo de reprodução da música, seu nome, o número de faixas na memória e outros indicadores como o modo de equalização e o estado da bateria. Apesar da iluminação backlight azulada quando acionamos algum botão, a tela não é lá muito visível, principalmente quando olhamos em um ângulo agudo, como quando o aparelho está apoiado sobre a mesa – não por uma questão de contraste, mas porque a tela é “profunda” demais, ficando encoberta pela moldura da frente do MuVo2.

Abastecer o pequeno jukebox foi uma tarefa simples: usando o software da Creative fornecido com o kit, selecionamos centenas de MP3s de nosso HD e mandamos copiá-los para o MuVo2. Graças à utilização de um cabo USB 2.0, muito mais rápido que os USB 1.1 usados na maioria dos aparelhos, a transferência das músicas foi concluída em pouco tempo. É evidente que isso depende do seu gosto musical, mas em nossa experiência couberam praticamente mil canções nos 4GB disponíveis.

Som de primeira

A qualidade sonora do MuVo2 se mostrou totalmente satisfatória, possivelmente graças à relação sinal/ruído de 98dB e distorção harmônica inferior a 0,05% nas freqüências de 20Hz a 20 kHz (dados do fabricante). Não tão impressionante como a do iPod, mas ainda assim, acima da média. É possível escolher entre as equalizações para rock, pop, clássico e jazz, além de um modo normal e outro personalizado. O volume tem 25 níveis de ajuste e depende também de como as músicas foram gravadas, mas em nossos testes ficamos satisfeitos com o nível 15 – muito acima disso os pequenos fones começavam a distorcer os sons graves.

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