Por Julio Preuss
O backup de dados de um PC geralmente requer o uso de uma mídia de armazenamento externa e a mais rápida delas é o disco rígido externo plugado a uma conexão comum. Resta então a necessidade de um software de backup que copiará os arquivos desejados conforme uma seleção pré-programada e uma agenda de execução. A Western Digital está tornando essa tarefa mais fácil na vida dos usuários com o seu Media Center and External Hard Drive with Dual Option Backup, um dispositivo de armazenamento portátil com até 250 GB de capacidade que oferece um leitor de cartão 8-em-1 e dupla opção de interface: USB 2.0 ou firewire.
Os dois slots para cartões de memória suportam oito formatos diferentes, um para CompactFlash I e II e Microdrives, outro para SmartMedia, MMC, SD, MemoryStick e MemoryStick Pro – os cartões XD não são compatíveis. Infelizmente o leitor só funciona quando conectado a um PC. Ou seja, não é possível passar as fotos do seu cartão de memória diretamente para o disco do Media Center sem a ajuda de um micro com uma porta USB livre em uma viagem, por exemplo. O peso do produto, de quase 2kg sem os cabos, e suas dimensões (57,4 cm x 24 cm x 15 cm) também não contribuem.
Preço salgado
A limitação é no mínimo curiosa, porque o media center do nome nos fez pensar que ele serviria para mais coisas, até porque existem alguns botões de comando no aparelho que em um primeiro momento nos levaram a crer que seria possível acionar a “cópia” do conteúdo dos cartões sem a necessidade de um micro por perto, uma das maiores necessidades dos fotógrafos que esgotam a capacidade dos seus cartões em longas viagens. Na prática, ele não passa de um agrupamento de três funções bem comuns: um HD externo, um HUB USB 2.0 e um leitor de cartões. Não há nada de media center nisso, o que torna o preço de R$ 1.700 um tanto salgado.
No entanto, não deixa de ser um produto interessante. Dentro do dispositivo existe um disco rígido tradicional, igual aos modelos para PC pela Western Digital. O que testamos, de 250 GB, é o topo de uma linha que inclui também versões de 160 GB e 200 GB – todos baseados em HDs Caviar Special Edition, de 7.200 RPM e cache de 8MB com rolamentos silenciosos (fluid dynamic bearings). O fato de o HD utilizado ser um modelo para desktop, sem a resistência a impactos das versões para aplicações portáteis, torna ainda menos recomendável usar o MediaCenter como um dispositivo portátil.
No lado de trás, a entrada de força usa um plug semelhante ao dos teclados e mouses PS/2. Há um encaixe para trancas de segurança Kensigton (útil em um produto tão caro), duas entradas Firewire (IEEE1394) e uma USB para conectar o Media Center no computador, além de uma saída USB que, junto com aquela situada na frente da unidade, lhe confere a função adicional do hub USB 2.0, permitindo que outros periféricos que obedeçam ao padrão sejam conectados diretamente a ela.
Retrospect Express
Embora o Media Center funcione, quando conectado pela porta USB, sem necessidade de qualquer driver, parte de suas funções só estarão disponíveis após a instalação do software que acompanha o produto. O Retrospect Express 6.5, da Dantz, ativa o WD Button Manager, um aplicativo que fica ativo na área de avisos da barra de tarefas do Windows. Após o software estar instalado, o acionamento dos botões no Media Center faz com que o Button Manager execute as tarefas programadas. Um deles é o liga/desliga e os outros dois servem para acionar o software de backup – que pode realizar um backup imediato ou executar uma programação determinada previamente. O HD externo é automaticamente selecionado como destino do backup, mas isso pode ser alterado pelo usuário.
Um ponto positivo é que os leitores de cartões continuam a trabalhar mesmo com uma operação de backup em andamento. Também é possível escolher entre fazer cópias de todos os arquivos ou apenas dos documentos, opção bem prática para reduzir o tempo e o espaço gastos com o backup. Em um backup de aproximadamente 12 mil arquivos, totalizando 1,6 GB, o Retrospect demorou cerca de uma hora para digerir tudo. Com arquivos grandes o processo é bem mais rápido, felizmente.
Depois de um primeiro backup inicial, fica muito mais prático realizar apenas os chamados backups incrementais, que copiam só os arquivos criados ou alterados depois da gravação anterior – e o Retrospect permite o agendamento desses backups para execução no dia e horário escolhido ou ao ser apertado o botão correspondente no Media Center. Como para isso também é necessário verificar se os arquivos foram alterados desde a última cópia, um backup com grande quantidade de arquivos é mais trabalhoso do que outro com poucos arquivos, mesmo que muito grandes. Portanto, para poupar tempo nos seus backups, é aconselhável deixar o “arquivo morto” em um volume separado dos arquivos do dia a dia.
Duas possibilidades de conexão
Testamos o Media Center em suas duas possibilidades de conexão. No modo USB 2.0 bastou conectar a unidade ao micro que o Windows XP a reconheceu e tornou disponível como um disco rígido do sistema devidamente formatado, recebendo inclusive uma letra de unidade (usuários de Macs teriam que formatá-lo novamente) – além de ter criado outras duas letras para as unidades de discos removíveis que representarão os dois slots de cartões de memória. É interessante notar que os leitores de cartões e o hub USB são independentes do resto do equipamento, funcionando mesmo com ele desligado. Quando usamos a porta Firewire foi necessário inserir o CD que acompanha o produto para a instalação de alguns drivers e a funcionalidade dos leitores e do hub USB é perdida, a não ser se ligarmos os dois cabos simultaneamente.
Para avaliar a velocidade do MediaCenter usamos o programa HD Tach, da Simpli Software. Pelo gráfico de desempenho fica claro que a conexão Firewire (em vermelho) não só é mais rápida como também consome menos recursos da CPU (veja nas observações à direita). Apesar de seu limite teórico de 400 Mbit/s, contra 480 Mbit/s do padrão USB 2.0, a conexão Firewire se mostrou superior à USB 2.0 em todos os testes, exceto no tempo de acesso aleatório – 33 ms contra 14,4 ms – o que certamente atrapalhará em processos de busca e nos backups incrementais.
Dar um parecer final para esse produto requer algum bom senso. De fato o Media Center é funcional e prático, mas não tem nada de Media Center, ou seja, a capacidade de reproduzir áudio e vídeo, distribuir conteúdo por streaming ou, no mínimo, exibir imagens digitais em uma televisão, mas é sem dúvida um produto interessante para quem quer uma solução unificada. Já para quem conhece um pouco mais o universo de acessórios disponíveis no mercado, sugerimos comprar um case USB “vazio” bom e barato, que custa menos de R$ 200, e montar nele um disco rígido de qualquer marca e grande capacidade (pode ser qualquer um, já que a performance está limitada pela conexão) e adquirir um leitor de cartões separado. Há dois claros benefícios nessa alternativa: é possível trocar o HD em caso de defeito (o Media Center é lacrado) e o leitor poderá ter um modelo mais versátil, com suporte a todos os formatos, inclusive o xD. Além, é claro, do preço!