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Ponto de Teste

Uma câmera para quem está começando
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Por Julio Preuss

Testar tudo o que há de mais avançado no mundo da tecnologia é um privilégio e tanto, mas e quando o leitor desses testes está procurando mesmo informações sobre os produtos mais baratos, aqueles modelos populares desprezados pela maioria das publicações especializadas? Recomendar câmeras de R$ 3 mil é fácil, mas e se o seu orçamento não chega nem à metade disso? Existem opções de qualidade abaixo de R$ 800, por exemplo? Do que se estará abrindo mão?

Pensando nesse “vazio de informação”, pedimos à Kodak que nos enviasse a câmera mais barata de sua linha atual. Não estamos falando de pontas de estoque ou promoções, mas do modelo em linha com o menor preço sugerido.

Sem zoom

Atualmente, isso significa uma EasyShare CX7300, de 3,2 megapixels e nenhum zoom ótico, encontrada até em supermercados por R$ 700. Só tome cuidado com os anúncios de supermercado porque muitos dizem que a câmera tem zoom de 3X sem mencionar que esse é o zoom digital, um artifício pouquíssimo recomendado – isso não quer dizer que você deva desconsiderar essas câmeras, mas pense nelas como elas são: modelos sem zoom!

Aliás, é sempre bom explicar a nomenclatura da Kodak, facílima de interpretar: o segundo algarismo indica o patamar de resolução (3 MP) e o terceiro, o zoom (0). Assim, dá para responder sem pestanejar que o modelo DX7630, por exemplo, tem 6 MP e zoom de 3X. As exceções são os modelos com zoom de 10X, como a DX6490 e DX7590, em que o 10 teve que virar um 9 para não “estourar” o número de algarismos. Por fim, o prefixo DX indica as câmeras mais avançadas, com mais recursos manuais, enquanto as CX são os modelos básicos.

Ideal para iniciantes

Voltando à simplória CX7300: seus 3,2 megapixels a colocam exatamente no nível que julgamos ideal para um iniciante ou para quem só precisa da câmera para registrar festinhas de aniversário, sem grandes ambições. Por mais que os fabricantes e vendedores de câmeras possam tentar convencê-lo do contrário, 3 MP é suficiente para 90% das pessoas, como explicamos em nossa coluna de estréia. As fotos de 2.080 x 1.544 pixels têm exatos 3,21 megapixels e garantem impressões de até 17 x 13 cm em 300 dpi, mas normalmente dá para imprimir até maior sem problemas.

A ausência de zoom ótico, por outro lado, é um tanto estranha para quem está acostumado com câmeras de até 10x de zoom e de repente se vê preso aos 6mm (equivalentes a 37mm) da CX7300. Quem está começando, no entanto, pode nem sentir falta, principalmente se não estiver migrando de uma câmera convencional com zoom. Só não vale, como já alertamos, comprar a câmera acreditando nos tais 3X de zoom digital – isso também se obtém no computador e com mais flexibilidade.

Como existem profissionais que dizem que o melhor zoom são os seus pés e que a melhor lente é uma fixa (sem zoom) leve o suficiente para que você possa estar sempre no local ideal, é possível que a CX7300 até ajude a criar este hábito nos fotógrafos amadores. O que mais incomoda na lente da CX7300 nem é a falta de zoom, mas o fato de ser relativamente escura, com abertura máxima de f/4.8, e não ter qualquer proteção contra sujeira e arranhões, ficando permanentemente exposta às intempéries.

Cartão de memória extra é necessário

Como todas as Kodaks recentes, a pequena EasyShare tem memória interna (16 MB, neste caso, suficientes para umas 17 fotos na qualidade máxima) e entrada para cartão Secure Digital (SD), o formato mais popular atualmente. Usa duas pilhas pequenas (AA) e não vem com um conjunto de recarregáveis como alguns modelos de outros fabricantes. Quem comprar a câmera deve ter em mente que logo sentirá necessidade de comprar um cartão de memória e um kit de pilhas recarregáveis de NiMH e carregador – no pacote original só estão incluídos a câmera, um cabo de conexão e uma alça de pulso.

A interface da CX7300 é simples como já aprendemos a esperar da Kodak. Um controle giratório ao lado do disparador liga a câmera e seleciona entre os modos automático, para fotos noturnas (slow-sync) e de vídeo. À esquerda do monitor LCD de 1,6 polegadas está um conjunto de quatro botões direcionais com um “OK” no centro, o botão para apagar fotos (delete) e o chamativo “share”, para acionar o compartilhamento quando a câmera está conectada a um computador ou impressora. Sobre o visor fica o botão do modo de flash (automático, desligado, “enchimento” e olho vermelho) e, à direita, o “review” (para ver as fotos capturadas) e o menu.

Didática

Este último segue a linha didática das demais câmeras da marca e vem configurado de fábrica para exibir as informações em português. Palmas para a Kodak! Só não gostamos de algumas traduções não muito felizes ou excessivamente abreviadas e do fato de a configuração-padrão inserir aquelas irritantes datas amarelas no canto das fotos. Felizmente dá para desativar, mas o ideal seria não obrigar os iniciantes a fazê-lo enquanto ainda estão se familiarizando com a máquina.

Entre outras funções, o menu também traz o modo de disparo automático (contagem regressiva), os modos para fotos em preto e branco ou sépia e o seletor de qualidade da foto. As opções disponíveis são “excelente” (padrão), “excelente 3:2” (para fotos na proporção 10x15cm), “superior” (maior compressão, mas ainda em 3 MP) e “boa” (1.024 x 768, ou 0,8 MP). Curioso como câmera nenhuma classifica esses modos inferiores como “ruim”, “insatisfatório” ou coisa parecida. Não é à toa que muita gente acaba usando para economizar memória e depois fica decepcionadíssimo com o resultado.

Fotos razoáveis

Por falar em resultado, as fotos tiradas com a CX7300 foram apenas razoáveis. A definição é boa, mas percebe-se o que parece ser um filtro de nitidez muito agressivo no software interno (não ajustável), dando a algumas imagens a aparência de pinturas quando as analisamos em tamanho natural. Os cantos das imagens não saíram lá muito nítidos, mas temos dúvidas quanto à causa do problema: será o foco fixo da lente, sua qualidade ótica ou a própria luminosidade dos nossos testes?

Também notamos mais ruído do que o desejável nas fotos tiradas com pouca iluminação (com ISO automaticamente aumentado de 100 para 140) e até em áreas escuras das fotos à luz do dia. As cores, por outro lado, são bem retratadas, assim como o contraste nas fotos monocromáticas. Enfim, um conjunto de fatores que não atenderia um fotógrafo avançado, mas é suficiente para novatos pouco exigentes e com orçamento limitado. E uma opção muito melhor do que comprar uma daquelas webcams que fotografam (mal) pela metade do preço.

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