Embora estejamos falando de uma câmera digital lançada no ano passado, esta história começa em 1996, ano marcado pela estréia do formato APS, ou Advanced Photo System, uma espécie de último suspiro das câmeras de filme, recentemente abandonado por diversos fabricantes.
Junto com o padrão de filmes que se propunha a substituir os tradicionais de 35mm, chegava ao mercado a então minúscula Canon Elph, uma câmera supercompacta para os padrões da época e que chamava a atenção pelo círculo preto ao redor da lente. O conceito “caixa e círculo”, assinado pelo designer japonês Yasushi Shiotani, fez tanto sucesso que se tornou um ícone daqueles tempos.
Em maio de 2000, a Canon sabiamente decidiu levar o desenho da Elph para o mundo digital e lançou a Powershot S100, ou Digital Elph, conhecida na Europa como Digital Ixus. A linha foi evoluindo, evoluindo, e aparentemente atingiu a perfeição com a S400, de quatro megapixels, zoom ótico de 3X e o inovador revestimento cerâmico “Cerabrite”, com brilho metálico e imunidade aos arranhões e marcas de dedos que atormentavam as antecessoras de aço inox. Tudo isso em uma câmera que cabe no bolso!
Um botão a mais
O tempo passou e surgiram novos modelos: a S410 e a S500. A primeira é virtualmente idêntica à S400, exceto por um botão a mais para enviar as fotos para impressoras compatíveis com o padrão PictBridge conectadas pelo cabo USB. A S500, o modelo que é o assunto principal deste teste, é a mesma coisa com um sensor de 5 megapixels e o aro ao redor da lente em tom dourado, em vez do prateado de todas as demais. Mais marketing do que uma evolução real, talvez para manter o preço de lançamento na casa dos US$ 500 (hoje ela custa US$ 350 lá fora e em torno de R$ 2 mil, no Brasil).
Não que a S500 seja uma câmera ruim – ela simplesmente não evoluiu como deveria para fazer frente à concorrência, que já oferece monitores maiores, muito mais recursos e controles manuais nos modelos desse nível. Pior: o sensor de 5 megapixels apresenta um nível de ruído consideravelmente superior ao de 4 megapixels da S400, tornando o “upgrade” pouco recomendável e as fotos em ISO 400, um tanto decepcionantes. Junte a isso tudo o fato de a câmera já não ser mais tão compacta como antes e fica evidente que a Canon precisava fazer algo mais para continuar “bem na foto”.
Bem na foto
E ela fez: anunciou, agora em fevereiro, a IXUS 700, ou SD500, uma câmera de 7 megapixels que substituiu a S500 como topo da linha ultracompacta. Só que ela traz duas mudanças fundamentais em relação à família Digital Elph: primeiro, o design reformulado, com o que a Canon chamou de “curva perpétua” em uma das laterais e um LCD de 2 polegadas. Depois, o uso de cartões de memória SD que lhe renderam o nome SD500, ironicamente mais compactos que os CompactFlash dos modelos anteriores.
Mas voltando à Powershot S500 Digital Elph, provavelmente o último modelo da série S original: a câmera continua “sexy” como suas antecessoras, mede 8,7 x 5,7 x 2,8 cm, pesa 215 g com bateria e, assim como a vovó APS, recolhe totalmente a lente quando desligada, o que a faz caber no bolso de uma calça jeans apesar do zoom ótico de 3X proporcionado pela lente 36-108mm de abertura máxima f/2.8-4.9.
Só tome cuidado com essa história de colocar a câmera no bolso porque o controle giratório de acionamento do zoom (um disco ao redor do botão de disparo) costuma prender no interior do bolso e já vimos isso provocar defeitos na mola de duas câmeras dessas, tornando o zoom gradual praticamente impossível – talvez fosse melhor a Canon abandonar essa idéia e adotar um par de botões wide-tele, mais resistente. No lado de cima da câmera estão também o botão liga/desliga, que deve ser pressionado por alguns segundos para evitar acionamentos acidentais, e os orifícios do microfone e do alto-falante, usados no modo de vídeo e para fazer comentários de voz associados às fotos.
Atrás
A face traseira da câmera traz o LCD de 1,5 polegadas, um microscópico visor ótico e os seletores de modo de disparo (automático, manual, panorama e vídeo) e de fotografar/reproduzir, além de nove botões diversos, quatro deles sob o LCD, quatro dispostos em um círculo para controle direcional e um último – o tal para imprimir – mais à direita, onde também fica a trava do compartimento para o cartão CompactFlash, localizado na lateral da câmera – a S500 vem com um CF de 32 MB.
Esta característica, por sinal, é uma das que mais fará falta nas novas IXUS baseadas em memória SD – para quem já tem um grande acervo de CFs ou costuma alternar entre uma câmera ultracompacta e outra maior, mais avançada, não poder mais usá-los em sua portátil exigirá a compra de mais memória, e ainda por cima de um padrão mais caro. Muita gente que escolheu as compactas da Canon exatamente por causa do cartão CompactFlash pode mudar de marca em suas próximas aquisições.
Diferente das primeiras Elph de filme, cujo flash era escamoteável (se abria acima da câmera), os modelos digitais o têm embutido na face frontal da câmera, acima e à direita da lente. Isso torna a câmera mais resistente e facilita seu uso, mas contribui para o surgimento de olhos vermelhos nas fotos. Ao lado do flash, sobre a lente, está a lâmpada alaranjada que ilumina discretamente a cena a ser fotografada para facilitar o foco em situações de baixa luminosidade – um recurso que muitas câmeras compactas desprezam e que faz bastante diferença para quem fotografa à noite.
Encaixe para tripé
No lado de baixo da câmera, além do encaixe metálico para tripé – item raro em câmeras deste tamanho, está a tampa do compartimento da bateria, uma diminuta NB-1LH de íon de lítio que se mostrou bastante durável para o seu tamanho. Seu carregador, a propósito, também é bem compacto, com praticamente o mesmo tamanho da câmera e plug dobrável, o que facilita o transporte e armazenamento. A única crítica nesta área é ao preço de uma bateria extra, em torno de US$ 50, nos EUA. Ainda bem que já existem modelos “genéricos” mais baratos.
Por fim, na lateral esquerda, uma tampa de borracha protege o conector mini-USB e a saída A/V, usada para conectar a câmera a uma televisão para visualizar as fotos e vídeos. Por falar em vídeo, a S500 é capaz de filmar em dois modos: VGA (640x48), por até 30 segundos, ou 320x240, por até 3 minutos. Infelizmente, nem o zoom nem o ajuste de exposição funcionam durante a filmagem, coisa que até câmeras mais antigas já faziam. No novo modelo anunciado há dois meses, os limites de filmagem foram abolidos, mas só o zoom digital funciona.