Por Julio Preuss
Alguns dos primeiros gravadores de CD vendidos aqui
no Brasil traziam na embalagem algumas folhas de etiquetas adesivas redondas e até um aplicador especial para permitir sua colagem precisa sobre a superfície dos discos, pois, se não ficassem totalmente centralizadas, poderiam prejudicar a rotação do CD na unidade.
Pena que quase ninguém tivesse paciência de usá-las! O resultado, todos conhecemos: uma profusão de CD-Rs e RWs identificados apenas por garranchos escritos à mão com marcadores permanentes – isso quando nos damos ao trabalho de escrever alguma coisa.
E se a sua impressora fosse capaz de imprimir o conteúdo das tais etiquetas diretamente sobre os CDs, não ficaria tudo muito mais fácil? Parece impossível, mas não é. Este é o principal atrativo do modelo Stylus Photo R200, uma das mais inovadoras jato-de-tinta que a Epson trouxe para o Brasil nos últimos tempos. Para que fique bem claro, já que o assunto costuma provocar uma certa confusão até entre os vendedores que comercializam o produto: a impressora de fato imprime no próprio CD, que é inserido em uma bandeja quase como se fosse uma folha de papel, sem a necessidade de etiquetas!
CDs "imprimíveis" ainda são raros
Para tanto, infelizmente, os CDs (ou mídias, como virou moda chamar os disquinhos virgens nas lojas do ramo) precisam ser especiais – “printable”, usando a definição em inglês, ou “imprimíveis”, na falta de tradução melhor. São um pouco mais caros – questão de centavos – que os CDs virgens comuns, mas pior que isso é o fato de ser dificílimo encontrá-los nas lojas – inclusive aquelas que vendem a impressora. Se você resolver comprar a R200, recomendamos encomendar logo um estoque de discos, pois os três CDs que acompanham o produto se vão só nos experimentos iniciais.
Por falar em testes, a R200 se comportou perfeitamente em nossa avaliação. O processo de impressão de CDs é um tanto engenhoso: um suporte plástico especial é encaixado numa portinhola aberta na parte da frente do aparelho e, sobre ele, coloca-se o CD. Antes de começar a imprimir, a maquininha move o suporte todo para dentro e para fora, como que verificando seu posicionamento correto. Depois, engole suporte e CD gradativamente enquanto vai imprimindo, como se fosse a coisa mais natural do mundo. Ah, se todas as impressoras fossem assim!
Epson PrintCD
O único cuidado que se deve ter para que a impressão saia perfeita é usar o Epson PrintCD, software de composição de imagens fornecidos junto com a impressora. Não é nada muito complexo – talvez o programa de desenho mais simples (não em facilidade, mas em número de recursos) que usamos desde o surgimento do Windows. Ele permite a importação de imagens de outros programas, o alinhamento de texto em curvas e a criação de desenhos básicos, mas não muito além disso. O ideal é criar a imagem em outro software e depois transferi-la para o PrintCD apenas para imprimir.
A característica mais marcante do programa é o fato de a área de desenho ser redonda como um CD, e não retangular como as páginas dos demais softwares, em que a tarefa de imprimir exatamente sobre a superfície de um disco é um exaustivo processo de tentativa-e-erro. Se o seu objetivo é personalizar CDs imprimíveis comuns, basta trabalhar com o modelo padrão, com diâmetro externo de 116mm (o tamanho do disco) e interno de 43mm (o buraco e a área transparente central). Se este não for o caso, o programa também possibilita a escolha do formato mini-CD, com 76mm de diâmetro externo, ou a digitação manual dos dois valores, para mídias mais exóticas.
Cartuchos independentes
Imprimir CDs é uma novidade tão atraente que quase esquecemos de avaliar as outras características da R200. Primeiro, há que se parabenizar a Epson por equipar uma impressora doméstica com cartuchos de tinta independentes: são seis, um para cada cor, já que as boas jato-de-tinta fotográficas trabalham pelo menos com as tintas ciano (azul), ciano-claro, magenta (rosa), magenta-claro, amarela e preta. O que inicialmente parece um desperdício acaba sendo mais econômico, pois é possível substituir apenas um dos cartuchos quando determinada cor acaba. Na maioria das impressoras, se você imprime muito magenta, por exemplo, estará sempre jogando fora cartuchos cheios de tinta amarela e ciano – ou vice-versa.
A R200 também se destaca pela impressão sem bordas, útil para reprodução de fotos. O recurso está limitado, no entanto, a alguns formatos mais comuns nos Estados Unidos, como o papel carta (8,5x11 polegadas) e as fotos 4x6, 5x7 e 8x10 (sempre em polegadas). O equipamento não é lá muito rápido, problema comum nos modelos domésticos, mas por outro lado é extremamente silencioso – tanto que várias vezes achamos que ele não estava imprimindo e quando olhávamos, lá estava a impressão concluída esperando na bandeja de saída! Seu design é moderno e atraente, em tons de cinza e prata, e todas as bandejas podem ser fechadas para economizar espaço e evitar a entrada de poeira.
Impressão de DVDs!
Os realmente high-tech vão gostar de saber que a R200 também imprime DVDs (mídias imprimíveis, naturalmente) e que oferece um conector USB frontal, além do traseiro, para facilitar a conexão de um segundo computador à impressora – faz bastante sentido para quem tem um desktop e um notebook, por exemplo. Pena que não traga qualquer tipo de entrada para fotos digitais (via cabo DirectPrint ou leitores de cartões de memória) sem a necessidade de uso de um computador, a exemplo do que acontece em tantos outros modelos “fotográficos” de outros fabricantes e da própria linha Stylus Photo. Aliás, a única crítica que podemos fazer à Epson nesta avaliação é a demora em trazer para o Brasil o resto da família – que lá fora inclui também os modelos R300, R320, R800 e R1800. Estamos esperando ansiosamente para testá-los!
Especificações técnicas: