Por Julio Preuss
No início deste ano, Steve Jobs, o presidente da Apple, revelou que sua empresa vendeu 4,5 milhões de iPods no último trimestre de 2004 – um aumento de 500% sobre os números de 2003. No total, a Apple já vendeu mais de 10 milhões de seus MP3 players, 8,2 milhões só no ano passado, o que faz do iPod o líder absoluto do segmento e um dos eletrônicos de maior sucesso na história. O “efeito-iPod” influenciou toda a indústria: não só os fabricantes de MP3 players concorrentes, mas também as marcas de acessórios de áudio a automotivos – todos adotaram o look branco-neve do iPod original.
Como a Apple dos dias atuais nunca fica muito tempo parada, tratou de renovar seu sucesso e lançou o iPod Mini, versão reduzida em capacidade, tamanho e preço, mas ainda mais sexy (sim, eletrônicos podem ser sexy) que seu antecessor. O Mini é vendido em variações de 4 e 6 GB (contra 20GB ou 40GB do iPod original), suficientes para 1 mil e 1,5 mil músicas, mede 9,1 x 5 x 1,3cm (contra 10,4 x 6,1 x 1,4cm) e custa, lá fora, entre US$ 200 e US$ 250, dependendo da versão – aqui no Brasil, sai entre R$ 1.100 e R$ 2.200, de acordo com a origem. Pode parecer besteira economizar meros US$ 50 para ter um aparelho com menos da metade da capacidade (o iPod comum, de 20 GB, custa US$ 299), mas para quem não pretende andar por aí com dezenas de gigabytes de músicas, o formato mais compacto do Mini mais do que compensa o disco rígido menor.
Cores e design em destaque
Deixando as diferenças técnicas de lado, o Mini se destaca pelas cores (prata, azul, rosa ou verde) que tomaram o lugar daquele branco total e pelo material de que é feito – um alumínio texturizado que ao mesmo tempo chama a atenção como os adolescentes gostam e é sóbrio o suficiente para ser usado por consumidores mais sérios. As fotos falam por si só, mas não custa ressaltar que o design do iPod Mini é praticamente uma obra de arte!
As laterais do Mini são arredondadas e absolutamente lisas, mas não escorregadias, assim como toda a sua face traseira. Na base existe um conector para acessórios em geral e, no topo, o encaixe dos fones (que liga o iPod quando um fone é plugado) e um botão deslizante para travar os demais controles do aparelho, evitando que sejam acionados inadvertidamente. Clean ao extremo, apesar da cor berrante do exemplar que avaliamos, um Mini de 6GB verde-abacate.
A frente do aparelho traz a tela de LCD monocromático de 1,67 polegadas, resolução de 138x110 pixels e um eficiente backlight branco e o já famoso disco de controle ClickWheel herdado do irmão mais velho, com um botão central e quatro direcionais (Menu, play/pause e avanço e recuo da faixa). O mais interessante é que no Mini (e nos novos iPods em geral) a ClickWheel é sensível ao toque, bastando deslizar o dedo sobre ela no sentido horário ou anti-horário para ativar o movimento para cima e para baixo dentro dos menus, que são totalmente personalizáveis. Demora um pouco para se acostumar, mas depois você não vai querer outra coisa.
E ainda vem com dois games!
Uma boa dica para quem está aprendendo a mexer na ClickWheel é aproveitar alguns dos games que vêm no iPod para treinar: os joguinhos Brick e Parachute são ótimos para desenvolver a coordenação motora com o novo tipo de controle. O Solitaire é um exercício de... bem, paciência, enquanto o Music Quiz é um fantástico exemplo de exploração inteligente dos recursos do aparelho: ele reproduz o início de uma de suas próprias músicas e dá quatro opções de nomes para você identificar antes que o tempo (e a pontuação da rodada) se esgote.
Outros recursos interessantes do sistema do iPod são a possibilidade de organizar as músicas por álbum, artista, gênero etc, o leitor de livros de áudio (que infelizmente ainda não são muito populares aqui no Brasil) e o equalizador com 22 configurações predefinidas. Só um detalhe: a própria Apple avisa que o uso do equalizador, bem como a gravação de arquivos muito grandes (mais de 9 MB), reduz a duração da bateria, pois exige mais do processador do aparelho e diminui a eficiência do sistema de cachê.
Além dos inconfundíveis fones de ouvido brancos com imãs de neodymium de seu antecessor, o iPod Mini é vendido com um clipe para cinto e o cabo de conexão USB 2.0, uma boa notícia para quem não tem conector Firewire (usado no iPod original) no PC. O Cabo USB é usado também para carregar a bateria de íon de lítio, o que obriga o consumidor a ter um computador por perto ou comprar um carregador opcional. A duração da bateria é estimada pela Apple em 18 horas de uso contínuo ou um mês de stand by, mas muitos clientes já reclamaram que não chega nem à metade disso (talvez eles usem demais o equalizador).
Anti-impacto
O aparelho também traz proteção contra impactos, o que garante seu funcionamento por 25 minutos mesmo quando submetido à mais esburacada das estradas – lembrem-se que existe um disco rígido miniaturizado lá dentro, o que faz com que o iPod não seja imune a trepidação como os MP3 players baseados em memória sólida, sem partes móveis. Mas atenção: isso não quer dizer que você possa deixar seu iPod cair impunemente – a proteção é só para ele continuar tocando enquanto sofre pequenos impactos durante seu cooper matinal, não significa que ele seja à prova de choque ou coisa parecida.
O pacote de software inclui, claro, o famoso iTunes, um dos mais populares gerenciadores de músicas da atualidade e porta de entrada para a iTunes Music Store, serviço de venda de canções a US$ 1 cada que já comercializou 350 milhões de faixas. Oficialmente ainda não é possível comprar músicas dessa forma aqui no Brasil, o que leva a crer que só nos resta mesmo a opção de “ripar” CDs adquiridos legalmente – algo que o iTunes faz muito bem. Ou então partir para os MP3 baixados de graça em serviços de compartilhamento de arquivos, quase sempre ilegais – mas ninguém seria capaz de uma coisa dessas, não é?
Opcionais para todos os gostos
Quando o tema muda para os opcionais, existe praticamente tudo o que se possa imaginar – tanto da própria Apple quanto dos inúmeros fabricantes que aproveitaram para pegar uma carona no sucesso dos iPods. São sistemas de caixas de som, adaptadores para transmitir as músicas para o som do carro via FM, carregadores de bateria (para complementar o cabo USB), tiras para prender o aparelho no braço e por aí vai. O preço não é lá muito agradável, principalmente dos acessórios originais, mas quem mandou comprar um aparelho de grife?